sexta-feira

, 19 de agosto de 2022

Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha na Missa do Crisma e da Unidade

08 de abril de 2017 Arquidiocese

Homilia de Dom Geraldo Lyrio Rocha, por ocasião da Missa do Crisma e da Unidade, na igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana, no dia 08 de abril de 2017:

A Missa do Crisma e da Unidade, situa-se no contexto do Ano da Vocação Sacerdotal que estamos celebrando na Arquidiocese de Mariana como marco significativo na comemoração do Jubileu de Ouro de minha Ordenação sacerdotal.

Esta celebração exalta o Sacerdócio de Jesus Cristo, o Ungido do Pai, e ao mesmo tempo, recorda a participação de todos os fiéis no Sacerdócio de Jesus Cristo, pela graça do Batismo, e nossa associação ao seu ministério pastoral pelo sacramento da Ordem.

Acabamos de ouvir na primeira leitura, tirada do livro do Apocalipse: “A Jesus que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade” (Ap 1, 5-6). Somos “a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade” conforme nos diz a Primeira Carta de Pedro (1Pe 1, 9). Esta realidade eclesial tão sublime se expressa nesta celebração que revela o mistério da Igreja. Esta celebração visibiliza a Igreja Particular de Mariana, “que manifesta a Igreja una, santa, católica e apostólica, unida ao seu Pastor e reunida pelo Espírito Santo, pelo Evangelho e pela Eucaristia, sendo assim, representação da universalidade do povo de Deus, que busca ser no mundo o sinal e o instrumento da presença de Cristo” (CD, 11), como nos ensina o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Pelo Batismo, todos os cristãos se tornam participantes do sacerdócio de Jesus Cristo. Por isso mesmo, todos os batizados podem apresentar a Deus suas oferendas que devem assemelhar-se à oferta de Cristo, constituindo-se um culto novo, cheio de realidade e pleno de sentido existencial, como nos adverte a Carta aos Hebreus: “não vos esqueçais da beneficência e da solidariedade. São esses os sacrifícios agradáveis ao Senhor (cf. Hb 13, 16).

Pela participação no sacerdócio de Cristo, os fiéis são chamados a aproximar-se de Deus e apresentar-lhe a oferta espiritual, com a transformação de todas as circunstâncias da vida, pela prática da justiça e da caridade. Isto se dá na medida em que cada cristão faz sua a missão do próprio Cristo Jesus que se aplica a si mesmo as palavras do Profeta Isaías.

Comentando o trecho do evangelho há pouco proclamado, em sua Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, diz o Papa Francisco: “Ser discípulo missionário significa participar ativamente na missão de Cristo, que ele próprio descreve na sinagoga de Nazaré: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor» (Lc 4, 18-19). Esta é também a nossa missão: ser ungidos pelo Espírito e ir ao encontro dos irmãos para lhes anunciar a Palavra, tornando-nos instrumento de salvação para eles.

O sacerdócio ministerial, concedido através do Sacramento da Ordem, situa-se no contexto do povo sacerdotal e é indispensável à comunhão eclesial e à transformação da existência cristã. O sacerdócio dos ministros ordenados é o sacramento da mediação de Cristo, isto é, o sinal visível da presença e atuação de Cristo mediador na comunidade eclesial e na vida dos cristãos.  O sacerdócio confiado aos ministros ordenados está, pois, a serviço do sacerdócio de Cristo e a serviço do sacerdócio dos fiéis. Sem a relação com o sacerdócio batismal, o sacerdócio ministerial perderia seu sentido. Porém, o sacerdócio ministerial é indispensável porque sem ele, o sacerdócio comum dos fiéis não teria como chegar à sua máxima expressão, especialmente no mistério da Eucaristia.

Nesta celebração, com alegria e disponibilidade, os presbíteros renovam suas promessas sacerdotais. Ao reafirmar nossos compromissos sacerdotais, expressamos também nosso agradecimento ao Pai que, pelo dom do Espírito, através do sacramento da ordem, nos concedeu a graça de sermos sinais e instrumentos de Cristo Mediador, fazendo de nós seus ministros e embaixadores para que assim todos cheguem à unidade da fé, na comunhão visível da Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Amém!

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