sexta-feira

, 19 de agosto de 2022

Homilia de Dom Geraldo na Missa da Unidade

24 de março de 2018 Arquidiocese

Por ocasião da Missa do Crisma, Celebração da Unidade, na igreja de São Pedro dos Clérigos, em Mariana, Dom Geraldo Lyrio Rocha fez a seguinte homilia:

 

Esta Missa da Unidade está emoldurada pelo Ano do Laicato que  celebramos em todo Brasil. Como já tive oportunidade de expressar, depois de celebrarmos, na Arquidiocese de Mariana, o Ano da Vocação Sacerdotal, celebramos, com toda a Igreja no Brasil, o Ano do Laicato. Esta coincidência nos permite aprofundar o que diz o Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática sobre a Igreja: “O sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial, embora se diferenciem essencialmente, e não apenas em grau, ordenam-se um ao outro; pois um e outro participam, a seu modo, do único sacerdócio de Cristo. Com efeito, o sacerdote ministerial, pelo seu poder sagrado, forma e conduz o povo sacerdotal, realiza o sacrifício eucarístico fazendo as vezes de Cristo, e o oferece a Deus em nome de todo o povo; os fiéis concorrem para a oblação da Eucaristia em virtude do seu sacerdócio real, que exercem na recepção dos sacramentos, na oração e ação de graças, no testemunho da santidade de vida, na abnegação e na caridade operosa” (cf. LG 10).

Ao sacerdócio de Cristo corresponde pois o sacerdócio comum dos cristãos, chamados a aproximar-se de Deus e apresentar-lhe a oferta espiritual, com a transformação de todas as circunstâncias da vida, pela prática da justiça e da caridade. Isto se dá na medida em que cada cristão faz sua a missão do próprio Cristo Jesus que se aplica a si mesmo as palavras do Profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação dos cativos; e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos e para proclamar um ano da graça do Senhor” (Lc 4, 18-19).

O Concílio Vaticano II nos ensina que o Senhor Jesus, ‘a quem o Pai santificou e enviou ao mundo’ (Jo 10,36), faz todo o seu corpo místico  participar da unção do Espírito pela qual ele foi ungido. Pois nele os fiéis todos se tornam um sacerdócio santo e régio, oferecem a Deus hóstias espirituais por Jesus Cristo, e anunciam as virtudes daquele que das trevas os chamou para sua luz admirável. Não existe assim membro que não tenha parte na missão de todo o Corpo /…/. O mesmo Senhor, porém instituiu como ministros, alguns entre os fiéis, para que estes se unissem num só corpo, em que ‘todos os membros não desempenham a mesma atividade’ (Rm 12,4). Tais ministros deviam assumir o poder sagrado da Ordem, na comunidade dos fiéis, para oferecerem o Sacrifício e perdoarem os pecados, exercendo ainda publicamente o ofício sacerdotal em favor de todos em nome de Cristo.

O sacerdócio confiado aos ministros ordenados está, pois, a serviço do sacerdócio de Cristo e a serviço do sacerdócio dos fiéis. Sem a relação com o sacerdócio batismal, o sacerdócio ministerial perderia seu sentido. Porém, o sacerdócio ministerial é indispensável porque sem ele, o sacerdócio comum dos fiéis não teria como chegar à sua máxima expressão, especialmente no mistério da Eucaristia.

Irmãos e irmãs, a celebração da Missa do Crisma (ou da Unidade) exalta o Sacerdócio de Jesus Cristo, o  Ungido do Pai, ao mesmo tempo que recorda nossa participação no Sacerdócio de Jesus, pela graça do Batismo, e a associação ao seu ministério pastoral pelo sacramento da Ordem. Acabamos de ouvir na primeira leitura, tirada do livro do Apocalipse: “A Jesus que nos ama, que por seu sangue nos libertou dos pecados e que fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai, a ele a glória e o poder, em eternidade” (Ap 1, 5-6). Somos “a raça eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo de sua particular propriedade” conforme nos diz a Primeira Carta de Pedro (1Pe 1, 9).

Esta realidade eclesial tão sublime se expressa nesta celebração que revela o mistério da Igreja. Aqui se visibiliza a Igreja Particular de Mariana, “que manifesta a Igreja una, santa, católica e apostólica, unida ao seu Pastor e reunida pelo Espírito Santo, pelo Evangelho e pela Eucaristia, sendo assim, representação da universalidade do povo de Deus, que busca ser no mundo o sinal e o instrumento da presença de Cristo” (CD 11).

Nesta celebração, com alegria e disponibilidade, os presbíteros renovam suas promessas sacerdotais. Agradeçamos ao Pai que, pelo dom do Espírito, através do sacramento da ordem, nos concedeu a graça de sermos sinais e instrumentos de Cristo Mediador, fazendo de nós seus ministros e embaixadores para que assim todos cheguem à unidade da fé, na comunhão visível da Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Amém!

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