Em uma cerimônia simbólica, na manhã do dia 19 de janeiro, o pároco, Pe. Geraldo Buziani entregou as chaves da Igreja Nossa Senhora Rainha dos Anjos – Igreja da Confraria – em Mariana (MG), para o representante da empresa AGD Construções LTDA, com o objetivo de realizar o restauro estrutural do Templo, com início nesse mesmo dia e com duração de término previsto de 10 meses.
Após três anos fechada, a reforma envolve as paredes, as cimalhas, as janelas, o teto, uma drenagem adequada no solo como forma de prevenção aos possíveis problemas futuros e tantos outros que se fizerem necessários durante o período.
Segundo o arquiteto da empresa, Bruno Ferreira, de imediato, já será instalado o canteiro de obras, o isolamento do cemitério e as demais necessidades.
Bruno ressaltou ainda que a empresa seguirá todas as indicações existentes no projeto, mas haverá uma “investigação para saber o que realmente será feito”, devido aos imprevistos que podem surgir ao longo do processo de restauro, porém tudo previsto no orçamento.
Para o arquiteto, o objetivo “é deixar a estrutura preparada para receber o restauro dos elementos artísticos e da iluminação futuramente, além de entregá-la à comunidade para que seja utilizado de acordo com seu objetivo”, ressaltou Bruno.

Interior do Templo.
A Igreja, mais conhecida como Igreja da Confraria, uma referência à Confraria do Divino Espírito Santo, a qual zela por seu bem-estar e a utiliza para suas principais festas como: festa do Divino, de Nossa Senhora Rainha dos Anjos, que é o nome da própria Igreja e a do Bom Jesus.
O provedor da Confraria, Geraldo Magela, destacou que, para realizar essas festas, são bem recebidos nas outras igrejas, no entanto, “o ideal é que a gente faça na nossa Igreja de origem, até mesmo para não perder essa tradição ao longo do tempo, por isso, temos uma expectativa muito grande de retornar à nossa casa”, destacou.
Magela evidenciou ainda sua confiança nas entidades que estão à frente do restauro e, sem interferências diretas, coloca-se à “disposição para ajudar naquilo que nos for solicitado”.

Ao longo dos últimos anos, a Igreja tem sido objeto de preocupação por parte da comunidade de fé e das instâncias de preservação do patrimônio, porém, Pe. Geraldo, salientou que esse restauro representa apenas a fase inicial do projeto, com foco primordial na proteção da estrutura da igreja.
“Essa é uma obra muito aguardada pela comunidade, mas é importante ressaltar que é apenas a fase inicial, justamente para salvaguardar a parte estrutural, que são as situações mais críticas da igreja. Então, para nós, é uma alegria, uma expectativa grande da comunidade em garantir a integridade do prédio”, salientou Pe. Geraldo.

A obra orçada em um milhão e oitocentos e setenta e cinco mil foi deliberada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compat)do município de Mariana, cujo presidente, Marcos Eduardo Batista, frisou que, no decorrer dos dez meses de restauro, será possível a arrecadação de recursos para a segunda fase da reforma, que serão a dos elementos artísticos e do ilumino técnico.
Para ele, “o poder público tem o dever de salvaguardar todo o seu patrimônio material e imaterial. Então, partindo do princípio da obrigatoriedade, nós nos sentimos muito satisfeitos. Agora, pelo princípio da humanidade, que é o que nos motiva, poder ver o brilho nos olhos da comunidade de ter o seu templo reformado, isso nos enche de orgulho e de admiração”, frisou Marcos.

Essa é uma parceria entre a Arquidiocese de Mariana, a Catedral Nossa Senhora da Assunção e o Poder Público Municipal, os quais visam proteger e manter o patrimônio histórico, preservando, assim, a memória e o legado de fé.
Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Sarah Corrêa

A Igreja de Nossa Senhora dos Anjos da Arquiconfraria de São Francisco – Igreja de São Francisco da Confraria – foi construída pela Arquiconfraria do Cordão de São Francisco, a partir de 1784. Estudos comparativos indicam que é possível que os artistas Romão de Abreu, José Antônio de Brito e Manuel da Costa Athaíde tenham participado das obras.
Ela apresenta seu interior simples, com altares compostos de colunas retas, arcos, capitéis e rendilhado acompanhando o estilo das colunas. O altar-mor é composto por bela talha e abriga uma imagem antiga de Nossa Senhora dos Anjos.
Nos nichos laterais estão imagens igualmente antigas de São Francisco e São Domingos, enquanto na sacristia, pintura a óleo de excelente qualidade retrata Nossa Senhora.
Destaca-se o quadro bastante expressivo, pela concepção e execução artística, representando São Francisco na meditação e no êxtase, junto ao símbolo da Sagrada Paixão e Morte de Cristo. Nas laterais, há o cemitério onde estão enterrados os irmãos pertencentes à irmandade.
Ela faz parte do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico do município de Mariana, no centro histórico da cidade, datado no Livro de Tombo em 14 de maio de 1938 e o seu tombamento inclui todo o seu acervo, de acordo com a Resolução do Conselho Consultivo da SPHAN, de 13/08/85.
Para agilizar a atualização do projeto estrutural, a Catedral da Sé, em união com a Confraria do Divino Espírito Santo, em dezembro de 2023, contratou os serviços de sondagem do terreno e custeou a atualização desse projeto em vista da urgência das obras.

No final de 2024, o projeto estrutural foi aprovado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e, com isso, esse órgão passou para o trabalho de atualização das diversas planilhas para receber os recursos do PAC Cidades Históricas.
Nesse tempo, depois de problemas de divisa, a Arquidiocese de Mariana legalizou os limites do terreno com um dos confrontantes da Rua do Catete, para que o mesmo desse início à construção de um muro de contenção, sob a orientação e fiscalização dos órgãos públicos.
Com o risco do colapso do telhado, devido a ruptura de uma peça central, retirou-se as telhas para aliviar o peso e impedir que as paredes fossem empurradas para a lateral.

Soma-se a isso, os serviços de escoramento, cercamento e monitoramento constante da estrutura realizados pela Arquidiocese, com acompanhamento do Iphan e da Prefeitura Municipal de Mariana.
Diante do grave risco de colapso e para evitar incidentes, a Arquidiocese de Mariana, o Compat e a Prefeitura Municipal de Mariana tomaram a decisão de realizar, em caráter de urgência, o projeto estrutural, orçado em 1.874.739,89, com recursos do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural, com início em 19 de janeiro de 2026 com previsão de término de dez meses.
Fontes: Iphan | Catedral da Sé