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Mais de 1.600 peregrinos participaram do Jubileu do Apostolado da Oração e MEJ

20 de outubro de 2025

Sob uma suave garoa, Mariana (MG) despertou neste domingo, 19 de outubro, para acolher os mais de 1.600 membros do Apostolado da Oração e do Movimento Eucarístico Jovem (MEJ), que viveram sua peregrinação.

Os peregrinos foram recebidos para o café da manhã no Centro Arquidiocesano de Pastoral, movimentado pelo número elevado de visitantes. A calorosa equipe serviu bolos, pães, e biscoitos, acompanhados por um café quentinho.

À medida que finalizavam a primeira refeição, os grupos se direcionaram para o Santuário Nossa Senhora do Carmo, localizado ao lado. Da histórica Praça Minas Gerais, era possível ouvir as orações e as canções vibrantes que ecoavam pelas paredes do templo.

O ponto alto foi a renovação da consagração à Nossa Senhora, feita por um cântico puxado por Terezinha Marques, membro da equipe de liturgia e acolhida do Jubileu da Esperança. O momento impactante foi publicado nas redes sociais da Arquidiocese de Mariana, sendo muito aclamado pelos internautas.

Após as orações iniciais, o Diretor Arquidiocesano do Apostolado da Oração, Pe. Euder Daniane Canuto, levou a Cruz — símbolo do Jubileu da Esperança —, seguido pela multidão. Eles peregrinaram pela Rua Waldemar de Moura Santos e Rua Direita, rumo à Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção. Ao som dos sinos, o povo de Deus adentrou a Igreja Mãe de todas as igrejas da Arquidiocese de Mariana para venerar a Cruz Jubilar, formando-se uma enorme fila para o ato.

A força da oração sustenta a missão da Igreja

Por volta das 10h50 houve a Celebração da Eucaristia, na Praça da Sé, presidida por Pe. Euder, e concelebrada pelo Reitor da Catedral, Pe. Geraldo Dias Buziani. Serviu no altar o Diácono Sebastião Góis. Durante a solenidade houve a investidura de novos membros do MEJ de Mariana (MG) e Conselheiro Lafaiete (MG).

Em sua homilia, Pe. Euder destacou a importância da oração como força que sustenta a missão da Igreja. Refletindo sobre as leituras do 29º Domingo do Tempo Comum, especialmente na imagem de Moisés com os braços erguidos em intercessão, o sacerdote comparou o gesto à missão do Papa e dos fiéis da Rede Mundial de Oração.

“Sustentar o Papa pela oração é sustentar a Igreja em missão”. Ele enfatizou que nenhuma vocação ou ação evangelizadora será frutuosa se não estiver alicerçada na vida orante, pois “a oração é o modo pelo qual nos aproximamos de Deus e deixamos que Ele nos transforme”.

O presbítero também chamou a atenção para o verdadeiro sentido da oração, alertando que muitas vezes os fiéis pedem o que não devem, buscando uma felicidade passageira.

“A oração não é para mudar Deus, mas para que Deus nos mude”, afirmou.

Citando o Evangelho da viúva persistente, convidou os presentes à perseverança na oração, que aproxima o coração humano do coração de Cristo. Encerrando, fez memória da Serva de Deus Lola Floripes Dornelas, exemplo vivo de intercessão e confiança no Sagrado Coração de Jesus, e lembrou que a missão de todo cristão sustentando a Igreja com fé, esperança e devoção eucarística.

Dr. Cláudio Bomtempo e o testemunho de Lola

Posteriormente ao almoço — entregue em alguns pontos ao redor da praça — deu-se continuidade na programação com a fala da coordenação do Apostolado da Oração e do MEJ. Também participaram alguns coordenadores deste movimento da Arquidiocese de Belo Horizonte.

No segundo momento, o Dr. Cláudio Bomtempo — médico que cuidou de Lola em vida — iniciou convidando os presentes a refletirem sobre o “silêncio do quarto da Serva de Deus”. Ele explicou que mais do que ausência de ruídos, aquele silêncio era um espaço de escuta interior, um lugar onde se podia ouvir os batimentos do Sagrado Coração de Jesus.

Para o médico geriatra, esse silêncio não era vazio, mas cheio de presença. Era ali, em meio à solidão e à dor, que Lola se unia profundamente a Cristo pela Eucaristia e pela fé viva que irradiava.

O Dr. Bomtempo também ressaltou outras virtudes fundamentais na vida de Lola, como a obediência à Igreja, a adoração e a profunda devoção eucarística. Recordou ainda a observação do então Arcebispo de Mariana, Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, que reconhecia nela “virtudes em grau heróico, mais do que o necessário para a santificação”, razão pela qual abriu o processo de beatificação.

O palestrante recordou que Lola viveu uma realidade marcada por limitações físicas extremas — não comia, não bebia, não dormia e não possuía as funções fisiológicas comuns —, mas destacou que tais fenômenos não eram o que a tornava santa.

“O que santificou Lola”, afirmou, “foi o martírio vivido com um sorriso, a aceitação do sofrimento e a prática das virtudes que floresceram a partir daquele quarto”. Para o Dr. Bomtempo, o quarto de Lola era mais do que um espaço físico: era uma sala de aula espiritual, onde ela aprendia e ensinava as lições do Sagrado Coração de Jesus.

Depois da palestra, ao badalar dos sinos, o Santíssimo Sacramento foi conduzido pelo Pe. Lucas Muniz Alberto, da Catedral até o altar onde foi celebrada a Santa Missa. A multidão de fiéis fez a adoração e recebeu a benção presidida pelo sacerdote, encerrando a programação do dia.

Texto e fotos: Paulo César Gouvêa/Arquidiocese de Mariana

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