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Matrizes do Senhor Bom Jesus do Monte e de São Caetano, em Mariana, começam a ser restauradas

07 de outubro de 2022 Arquidiocese

Assinatura do convênio com as empresas responsáveis pelas obras de Furquim. Foto: Thalia Gonçalves

As Matrizes do Senhor Bom Jesus do Monte, de Furquim, e de São Caetano, em Monsenhor Horta, distritos de Mariana (MG), começaram a receber as intervenções emergenciais de reforma e reestruturação de suas edificações.

A primeira etapa contempla obras civis de reestruturação e estabilização das duas Igrejas. Para tanto, os elementos artísticos, especialmente os “Arcos-Cruzeiro”, serão cuidadosamente desmontados por empresas especializadas e os demais bens históricos, como os retábulos e as imagens, devidamente protegidos e descupinizados.

As obras civis da Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte estão a cargo das empresas “A3 Atelier de Arte Aplicada”, já as dos elementos artísticos pelo “Grupo Oficina de Restauro Ltda” (elementos artísticos). Na Matriz de São Caetano estarão incumbidas pelas obras civis e elementos artísticos, respectivamente, à “Construtora AGD Ltda.” A e “Práxis Restaurarte Conservação e Restauração Ltda.”.

Assinatura do convênio com as empresas responsáveis pelas obras de Monsenhor Horta. Foto: Thalia Gonçalves

Para as obras previstas neste projeto que contempla os dois templos foi destinado o total de R$ 3.285.585,24, sendo: R$ 1.638.116,61 para a igreja de Furquim e R$ 1.647.468,63 para a Monsenhor Horta. Os contratos com as empresas, após criteriosa análise das propostas, foram firmados pela Arquidiocese de Mariana, no último dia 29 de setembro. Ainda, foi contratada a empresa “Sandra Fosque Arquitetura e Patrimônio” para a fiscalização das obras, imprimindo maior transparência ainda a todos os procedimentos.

Os recursos advieram de Medidas Condicionantes lançadas pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (COMPAT) de Mariana, como meio de mitigação de impactos culturais sofridos pelo município em decorrência do rompimento da barragem de Fundão e das obras do novo Bento Rodrigues e de Assentamento de Paracatu. O tempo previsto de obras é de 180 dias.

Ao noticiar o início destas obras, a Arquidiocese de Mariana expressa a sua gratidão ao Município de Mariana e ao COMPAT por mais esta importante parceria, certa de que todos os esforços serão envidados para a continuidade destas obras, após esta primeira etapa, devolvendo a estes templos todo o esplendor de seus retábulos, reavivando o pertencimento do povo do lugar e assim preservando ainda mais a nossa cultura.

Sobre os dois importantes templos:

Furquim

Foto: Reprodução do Facebook Distrito de Furquim

A Igreja do Senhor Bom Jesus do Monte de Furquim, é considerada por muitos, como um dos mais belos monumentos de Minas Gerais. Construção do século XVIII, dedicada ao Senhor Bom Jesus do Monte, uma devoção que tem suas raízes em Portugal, de onde veio para os países de colonização português, entre eles, o nosso Brasil, além de Angola e Açores.

Sob esta veneração, a Igreja foi dedicada ao Bom Jesus do Monte, cuja imagem é venerada pelo povo do lugar e da região, desde sua chegada ao Distrito de Furquim.  Construção de 1745, sua planta acompanha o modelo tradicional de construções de igrejas, na primeira metade do Século XVIII.

A Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte de Furquim foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1949 e pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana. Em 1980, foi objeto de restauração pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA/MG.), devido a problemas estruturais que novamente serão objeto das intervenções propostas.

Furquim é uma da paróquia mais antigas de Minas Gerais. Há registros de 1706, como sede de paróquia e a restauração de seu Templo, além de preservar o patrimônio de alta relevância histórica, será de grande motivação para o povo do lugar, aumentando a estima e o pertencimento pela Terra, pela sua história e pelo seu conjunto patrimonial.

Monsenhor Horta

Foto: Reprodução do Facebook da Paróquia São Caetano

A Igreja Matriz de São Caetano de Monsenhor Horta é um templo opulento, digno de uma Catedral. Teve sua obra iniciada em 1730, por iniciativa da Irmandade do Santíssimo Sacramento, acompanhando os traços tradicionais das construções de igrejas da primeira metade do Século XVIII. Em seu interior uma talha ricamente ornada, com trabalhos de artistas e artífices de esmerados talentos.

A veneração ao padroeiro São Caetano é de origem europeia, com influência portuguesa. Chamado o “Santo da Providência”, Padroeiro do Pão e do Trabalho, a imagem de São Caetano, completa da harmonia do grande altar mór.

No interior do templo, está sepultado o Bandeirante Salvador Furtado de Mendonça, importante descobridor do ouro e desbravador das Minas Gerais, que em 16 de julho de 1696 chegou às margens do Ribeirão do Carmo e montou acampamento, dando origem ao Arraial do Carmo, Vila do Carmo, a atual Mariana, primeira cidade de Minas Gerais.

A Matriz de São Caetano de Monsenhor Horta foi tombada pelo Instituo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1953 e pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana.

Entre os anos de 1983 e 1985, aconteceu a última reforma geral do templo, por meio de convênio entre o IPHAN e Prefeitura Municipal de Mariana, com apoio do IEPHA/MG. Mais recentemente, com recursos advindo do Fundo Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (FUMPAC), intervenções emergências foram efetivadas em seu “Arco Cruzeiro”.

Texto: Efraim Rocha