domingo

, 14 de abril de 2024

Milhares de pessoas contemplam a paixão e morte de Nosso Senhor, em Mariana

30 de março de 2024 Arquidiocese

Milhares de pessoas participaram do Sermão do Descendimento na Praça Minas Gerais. Foto: Lauro Soares

O momento é de silêncio. Cristo está morto e é preciso vigiar, em oração, sua vitória sobre a morte. Com clima de fé e piedade, milhares de fiéis, ao longo de toda Sexta-Feira Santa, 29 de março, contemplaram os mistérios da paixão e morte de Nosso Senhor, em Mariana (MG). 

O ápice da programação foi o Sermão do Descendimento da Cruz, neste ano, proferido pelo Prior Provincial dos Dominicanos no Brasil, Frei André Luis Tavares, OP. A partir das 18h30, o clima de contemplação pairou sob a Praça Minas Gerais. Com uma estimativa de público de três mil pessoas, o cartão postal de Mariana, transformou-se no Calvário para a realização do Sermão do Descendimento da Cruz. Antes disso, aconteceu a apresentação do figurado bíblico, que contou com a participação de 98 personagens.

Na pregação, Frei André refletiu sobre as pessoas que vivem o sofrimento sem perspectiva de esperança. “Tão insano quanto viver as alegrias deste mundo, ignorando que a vida também traz cruzes, é viver nossas cruzes sem nenhuma perspectiva de ressurreição. A vida cristã se configura ao mistério pascal: é cruz e Ressurreição; é dor e é esperança. Ou seja, se é falsa e desonesta a promessa que nos faz o mundo, de uma vida sem limites, sem dores, protegida pela indiferença por quaisquer dores alheias, também não é verdadeira uma existência sem esperança”, disse.

Nesta perspectiva, o sacerdote religioso falou aos presentes sobre as pessoas que, desesperançosas, tiram a própria vida. “Quem de nós, irmãs e irmãos, não teria para partilhar, para contar, o caso de alguém próximo, em sua família, na família de seus colegas de trabalho, entre seus amigos e conhecidos, de alguém que, sem esperança, sem ver mais sentido na sua existência, decide tirar sua própria vida? Enche-nos de aflição o fato de que são tantas as vezes que chegam aos nossos ouvidos o fato de irmãs e irmãos terem tirado suas próprias vidas. E nos torna ainda mais perplexos o fato de que entre eles, encontremos tantos jovens e, infelizmente, não poucas vezes, mesmo ministros da Igreja de Cristo”, continuou Frei André.

Em sua pregação, o Prior Provincial dos Dominicanos recorreu a várias citações bíblicas, bem como de cardeais, santos, escritores e do Papa Francisco para ajudar na reflexão. Dentre eles, ele recordou o Servo de Deus Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida. 

“‘Em que posso servir?’. Eis uma das frases mais correntes e belas do saudoso pastor desta Igreja de Mariana, Dom Luciano Mendes de Almeida. O mesmo Dom Luciano, certa vez disse: ‘Se de fato desejamos ver e atender às necessidades atuais de nossos irmãos, devemos imitar a misericórdia e o amor do Pastor’. Que o Senhor tire de nós todas as amarras do egoísmo e do amor próprio para, como Ele, livres de todo impedimento, possamos amar e servir, a exemplo de Cristo, o Bom Pastor, que dá a vida por suas ovelhas e dos exemplos luminosos com os quais o Senhor sempre agraciou a Igreja de Mariana”, ponderou Frei André, citando Dom Luciano, ao pedir que retirassem o prego da mão esquerda do Cristo Crucificado.

Em um momento repleto de emoção, ao término do descendimento, a Praça Minas Gerais que estava na escuridão da morte, iluminou-se na esperança da ressurreição. Enquanto as três mil lamparinas eram distribuídas e acesas, a multidão cantava: “Jesus, manda teu Espírito para transformar meu coração”. 

Após o sermão, os presentes seguiram em procissão pelas ruas históricas de Mariana em direção à Catedral com a imagem de Nosso Senhor Morto, acompanhada pelas imagens de Maria, sua mãe; Maria Madalena e São João Evangelista, bem como o Santo Lenho, levado pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos. Durante o percurso, em cada esquina, a Verônica entoou o seu canto.

Estreando como Verônica, Yohaine Thais Rodrigues Rocha, da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, disse ter ficado lisonjeada pela oportunidade de participar da representação da paixão e morte de Nosso Senhor. “É parte de um momento muito doloroso, onde Jesus Cristo estava sendo açoitado, a Verônica veio e deu para Ele um momento de afago, enxugando seu rosto. Não é um momento mais importante, mas é um momento que Jesus recebe um afago de um mero ser humano que sente a sua dor e vendo a dor dele, reconhece Ele como verdadeiro filho de Deus”, afirmou.

À chegada na Catedral, os presentes ouviram, pela última vez, o cântico da Verônica e foram abençoados com o Santo Lenho por Dom Airton. Na ocasião, os fiéis também puderam venerar a imagem de Nosso Senhor Morto.

Sexta-Feira de silêncio

Via-sacra na Cartuxa. Foto: Pascom Catedral

Além do Sermão do Descendimento, a Sexta-Feira da Paixão, em Mariana, foi toda dedicada à contemplação ao Senhor Morto. Após adorarem ao Santíssimo Sacramento até a meia-noite da Quinta-Feira Santa, a manhã da Sexta-Feira da Paixão teve início com a Via-Sacra. 

Na ocasião, os fiéis partiram da Catedral em direção à Cartuxa de Dom Viçoso, rezando e meditando as 14 estações do caminho de Cristo até o Calvário. Já às 9h, o Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, presidiu na Catedral o Ofício das Trevas.

Adoração da Cruz

Momento de adoração à Cruz. Foto: Claudiana Magalhães/Pascom Catedral

Único dia em que não se reza uma missa na Igreja Católica, o centro litúrgico da Sexta-Feira da Paixão é a veneração à Santa Cruz, às 15h, horário da paixão e morte de Nosso Senhor.

Na Catedral, a celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano e concelebrada pelo Vigário Paroquial, Padre Johny Sales Figueiredo Dias, quando os fiéis participaram com serenidade deste momento em que Jesus, por amor, entregou sua vida por nossa salvação. 

O Sermão do Descendimento foi transmitido ao vivo e pode ser assistido aqui:

Texto: Thalia Gonçalves/Arquidiocese de Mariana

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