sexta-feira

, 21 de agosto de 2026

Ministério do Diaconato

21 de agosto de 2026

Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)

Pontualmente, às 20 horas deixamos o Santuário Santa Rita de Cássia. Acabara de Presidir a Santa Missa com a Igreja repleta de fiéis, em plena terça-feira. Isto nos faz refletir sobre uma realidade do cotidiano: o viçosense tem um perfil participativo e solidário nas ações concretas. Em questão de minutos, já no Edifício Padre Carlos, na Sala do Sagrado Coração de Jesus, lá já tinham chegado eles: os membros do Conselho Paroquial de Pastoral, CPP. Após a oração inicial dirigida pelo Diácono Maurício Lopes Duarte, minhas primeiras palavras foram de acolhida e agradecimento pela presença de todos. Com a palavra, o eleito para as Ordens Sacras guarnecidas pelo Rito Maronita, Charbel Gibrim, que fez uma síntese sobre o Rito Maronita e explanou a respeito de sua caminhada na Igreja, lembrando-nos como foi sua preparação acadêmica, pastoral e espiritual para receber o Sacramento da Ordem em seu primeiro grau, o Diaconato.

Organizadas em grupos de três e duas, perfazendo o total das oito Comunidades de nossa Paróquia, fizemos a distribuição das funções, viabilizando a efetiva participação de todos no Tríduo e na Ordenação Diaconal de nosso estimado Charbel Gibrim, que ocorrerão no Santuário Santa Rita de Cássia, nos dias 15 a 19/10. Destaque especial merece a Missa das 19h30, quando o Santuário Santa Rita de Cássia abre suas portas para uma multidão de fiéis, desta feita, acrescidos dos representantes da Paróquia Santo Antônio, em Cajuri, onde residem descendentes de libaneses em grande número. Com eles a presença simpática e a atuação do Padre Gustavo Geraldo Braz, presidindo a Santa Missa.

O grande momento, 19 outubro, às 19 horas, sob a presidência do arcebispo Dom Edgard Madi, Eparquia Maronita do Brasil, oficiante da Ordenação, ocasião em que o eleito se consagra Diácono.

O Diaconato está presente na Igreja Católica desde as primeiras Comunidades. Ao ler sobre os questionamentos surgidos entre os cristãos de origem grega e os de origem hebraica, quanto à assistência oferecida a eles por parte dos Apóstolos, notamos como para terem mais tempo na sua missão, eles escolhem sete homens idôneos para exercer o diaconato, o serviço da caridade. (At 6,1-7).

Não é tão recente, mas, de alguns tempos para cá, a Igreja assumiu de novo este espaço de participação em sua presença missionária. Alguém pergunta: qual é mesmo a missão do Diácono hoje? O Diácono está ligado à missão do Bispo, para colaborar no serviço da caridade, da evangelização, mais perto dele. Ele recebe o primeiro grau do Sacramento da Ordem, participa do Sacerdócio Ministerial de Cristo. Cabe-lhe a missão de pregar a Palavra de Deus, em nome da Igreja; assistir e abençoar os Casamentos como testemunha qualificada; administrar o Sacramento do Batismo; abençoar as pessoas em nome de Deus; dar a bênção com o Santíssimo Sacramento e atuar, pastoralmente, incardinado à Arquidiocese, ou à Eparquia, como se caracteriza a Ordenação do Diácono Charbel Gibrim.

Eles são mais de vinte e cinco mil e estão presentes em vinte e cinco países. Receberam o primeiro grau do Sacramento da Ordem e cuidam do serviço da caridade. Sob a presidência do Bispo, formam o “Diacônio” nas Igrejas Particulares onde exercem o ministério ordenado, tendo como patrono São Lourenço, celebrado liturgicamente a 10 de agosto.

Restaurado no pontificado de São Paulo VI, sob as luzes do Concílio Vaticano II, este Ministério Ordenado é antigo na História da Igreja. Quando tomamos o Livro Sagrado, em Atos dos Apóstolos, lemos: “Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, surgiram murmurações dos helenistas contra os hebreus. Isto porque diziam aqueles, suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Os Doze convocaram então a multidão dos discípulos e disseram: ‘não é conveniente que abandonemos a Palavra de Deus para servir às mesas. Procurai, antes, entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos desta tarefa. Quanto a nós, permaneceremos assíduos à oração e ao ministério da Palavra’. A proposta agradou a toda a multidão. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e, tendo orado, impuseram-lhes as mãos” (At 6, 1-7).

Merece destaque a palavra do saudoso Prefeito Emérito da Sagrada Congregação para o Clero, Dom Cláudio Hummes: “Ao restaurar a possibilidade de diáconos permanentes, o Concílio Ecumênico Vaticano II quis munir de novas forças a Igreja. Os diáconos permanentes podem ser casados. Deste modo, trazem uma experiência matrimonial, que contribui em seu ministério ordenado.

Os diáconos são ministros ordinários da Palavra e do Batismo. Abençoam os Matrimônios. São encarregados especiais da caridade e da solidariedade para com os pobres” (REDEVIDA, Informativo Mensal de Programação, ano III, nº 33, pág. 1).

Tem sido extremamente positiva a vivência deste ministério ordenado na Igreja de nossos dias. Com a configuração do Diacônio, expandiu-se com grande proveito pastoral o número daqueles que são convocados para essa consagração. Colaborador da Ordem Episcopal, este ministério está diretamente ligado ao Bispo. Sua missão é o serviço da caridade numa constante inspiração: São Lourenço e os diáconos.

 Padre Paulo Dionê Quintão
Pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia, em Viçosa (MG)

 

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