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, 15 de agosto de 2022

No aniversário de 1 ano da tragédia de Brumadinho (MG), presidente da CNBB fala das lições aprendidas

27 de janeiro de 2020 Igreja no Brasil

No sábado, 25 de janeiro, dia em que tragédia de Brumadinho completa um ano, o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo concedeu entrevista à Rádio Vaticano.

Para marcar a data, a Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) realizou, no mesmo dia, a 1ª Romaria da Arquidiocese de Belo Horizonte pela Ecologia Integral a Brumadinho para marcar a memória do dia em uma barragem se rompeu e soterrou 272 pessoas.

Na entrevista concedida ao jornalista Silvonei José, dom Walmor recordou a triste data: “um ano da tragédia-crime de Brumadinho”. Um verdadeiro pesadelo – destacou o presidente da CNBB -, na vida de todos nós, particularmente das famílias enlutadas das 272 duas pessoas que morreram, 272 vítimas. Muitas famílias, o Vale do Paraopeba, Brumadinho e muitas outras cidades profundamente marcadas pelo luto.

“Compartilho um alegria – continua dom Walmor -, que não é uma alegria de entusiamo simplesmente, nem uma alegria simplesmente de sensação, mas a alegria cristã. Tivemos ao longo deste ano a oportunidade de exercitar a nossa fé e sobretudo abrir os nossos corações para aprendermos novas lições, e elas são muitas. Lições a serem aprendidas em reverência à dor de tantos irmãos e irmãs, o luto que pesa sobre os ombros e que machuca o coração de muitas famílias. Muitas lições a serem aprendidas por uma nova lógica no horizonte da ecologia integral”.

Luta por uma nova ordem
Minas Gerais, como no Brasil, ou em qualquer lugar, – enfatiza o presidente da CNBB -, “a mineração não pode continuar mais fazendo o que ainda continua a fazer apesar de avanços conseguidos em legislações com trabalhos importantes. É preciso avançar muito, há muito o que modificar. É preciso exercitar a solidariedade, esse é o grande ganho da missão aprendida neste tempo, a solidariedade entre pessoas. Ao mesmo tempo uma grande luta, uma luta por uma nova ordem nos princípios da ecologia integral”.

Dom Walmor recorda que a “arquidiocese de Belo Horizonte desse o primeiro momento se fez e se faz presente na vida das famílias, das comunidade de fé do povo de Brumadinho e de todo o seu município e de todos aqueles atingidos por esta tragédia-crime”. Ao mesmo tempo criamos, – sublinha -, ampliando no Vicariato episcopal, uma seção para a questão ambiental, também enfrentado por nós no Santuário da Piedade, no grande e importante complexo da Serra da Piedade.

“Nós sofremos como Igreja o impacto da ganância pelo lucro, pelo dinheiro”, acrescenta. “Mas estamos trabalhando do ponto de vista jurídico estrutural, organizacional, de conscientização, levando junto nossa presença amorosa e solidária e o nosso empenho por um novo tempo e por uma nova ordem”.

Lições a serem aprendidas
O arcebispo de Belo Horizonte afirma que Brumadinho “significa para nós lições a serem aprendidas, compromisso com o novo tempo. Fácil não é, porque enfrentar o sistema e tudo aquilo que está organizado, como vemos, por exemplo, a defesa midiática feita por quem cometeu o crime, para convencer as pessoas de que fez o que devia fazer ou está fazendo o que tem obrigação de fazer. No entanto, esperamos do Ministério Público que se posiciona nesta direção, a condenação dos responsáveis. É preciso, ao pecador, o perdão, mas a quem cometeu o crime a pena”.

Dom Walmor destaca ainda: “nós vamos continuar trabalhando nesta direção e ao mesmo tempo, e sobretudo, reconstruindo vidas para que nós possamos dar testemunho da vida plena que ele Cristo veio trazer e é para todos nós”.

A força do amor do nosso Deus
Na conclusão de suas palavra o olhar para os que sofrem por causa desta tragédia-crime: “Continuem neste caminho em união profunda com os horizontes desafiadores postos a nós pelo amado Papa Francisco: uma nova economia, a economia de Francisco, um novo pacto para a educação, o trabalho para a ecologia integral, um novo tempo para todos nós”. “Por isso ao celebramos neste dia 25 de janeiro um ano da tragédia-crime nós reverenciamos as vítimas, nos solidarizamos e nos fazemos próximos e comprometidos com as famílias enlutadas e nos fortalecemos para uma luta que continua e será vencida na força do amor do nosso Deus”.

Com informações do VaticanNews

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