No último dia 17 de junho de 2026, o Arcebispo da nossa Arquidiocese, Dom Airton José dos Santos, assinou o decreto que eleva Nossa Senhora do Carmo como Co-Padroeira da Paróquia de São Sebastião no Município de Conselheiro Lafaiete. O decreto parte do pedido da própria comunidade paroquial, e encaminhada pelo pároco, Pe. Daniel Marcos Lima, pela presença marcante da devoção no seio da comunidade desde os primeiros anos de caminhada da Paróquia. Desde a década de 1950 é realizada todos os anos a novena ou tríduo em honra Nossa Senhora do Carmo, sempre coroados com o dia festivo, com consagração a Nossa Senhora, imposição dos escapulários e procissão pelas ruas da Paróquia.
Com a elevação, a Paróquia agora ganha oficialmente dois intercessores na caminhada evangelizadora, sendo chamados a seguir a coragem do grande mártir São Sebastião, e a disponibilidade e acolhida ao projeto de Deus, que Maria Santíssima nos inspira.
A devoção à Nossa Senhora do Carmo no Município de Conselheiro Lafaiete remonta ainda ao século XVIII, quando existia na então Villa de Queluz, uma arquiconfraria de Nossa Senhora do Carmo, instalada num dos altares laterais da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e transferida posteriormente, para uma capela própria, edificada por provisão do Bispado de Mariana, datado de 1767.
Com o passar do tempo e a dissolução da arquiconfraria ainda no século XIX, num ambiente cultural em que as irmandades exerciam papel diverso do nosso tempo atual, a capela do Carmo acabou sendo abandonada e, mesmo após algumas tentativas de reconstrução no início do século XX, entrou em ruínas, sendo demolida para alargamento da rua em 1951.
Contudo, a devoção à Virgem do Carmo não se dissipou, apesar das intempéries. Na parte baixa da cidade, atual bairro São Sebastião, que na época denominava-se “Lafayette”, iniciou-se um movimento de propagação dos benefícios que Nossa Senhora estendia a todos que, devotamente, usassem o santo escapulário. Pe. Antônio José Ferreira, então pároco da recente Paróquia de São Sebastião, criada em 1941, acolheu tal movimento, dando-lhe o suporte espiritual necessário e favorecendo o culto à Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Em julho de 1954, portanto 3 anos após a demolição da Capela do Carmo na ‘parte alta’ da cidade, os fiéis paroquianos de São Sebastião adquiriram a bela imagem de Nossa Senhora do Carmo, que até hoje se venera na paróquia, movidos pelo espírito de fé de Dona Maria Cardoso Leão, segunda presidente do Apostolado da Oração, e que trouxe a devoção carmelita para ‘parte de baixo’ de Conselheiro Lafaiete. Constituiu-se assim uma Confraria de Nossa Senhora do Carmo na Paróquia de São Sebastião, conduzida por Dona Maria Cardoso Leão até o fim de sua vida, sendo sucedida por sua filha, Dona Lilia Prates.
Desde então, todos os meses de julho, realiza-se piedoso novenário em honra Nossa Senhora do Carmo, desde sempre abrilhantado pelo Coral e Orquestra São Sebastião, o mais antigo em atividade ininterrupta da Arquidiocese de Mariana. As peças sacras do ritual do novenário foram, em sua maioria, imitadas do novenário do Carmo da cidade de Mariana, onde ela é padroeira. Ao final da festa, no dia 16 de julho, os festejos são sempre coroados com a procissão com uma outra imagem de Nossa Senhora do Carmo, que pertenceu a Dom Daniel Tavares Baeta Neves, ilustre cidadão lafaietense, e que foi doada ao acervo da Paróquia de São Sebastião por sua família.
O sonho de dar digno trono à Virgem do Carmo em Conselheiro Lafaiete, nunca morreu, especialmente na Paróquia de São Sebastião. Agora, tal sonho é alcançado, com o decreto do Arcebispo, Dom Airton, que eleva Nossa Senhora do Carmo como co-padroeira da Paróquia de São Sebastião, por toda história de fé e devoção que ao longo dos anos se sustentou nesse solo.
No final do século XIX, a parte baixa da cidade de Queluz, atual Conselheiro Lafaiete, crescia rapidamente e o bairro de Lafayette, hoje São Sebastião, nascia à margem da ferrovia da Central do Brasil. O padre Américo Taitson, pároco de Nossa Senhora da Conceição, de Queluz, à época, fez pedido à cúria de Mariana de uma provisão para construir a capela de São Sebastião, datada de 22 de abril de 1903. A construção da igreja teve participação dos ferroviários e há registros de batismos e casamentos feitos nela desde 1908.
A edificação passou por muitas mudanças ao longo dos anos, Pe. Antônio Prette foi o responsável pelo aumento da capelinha, que ficou seis vezes maior. Por provisão de 27 de outubro de 1921, a igreja foi elevada a curato, tendo diversos padres à sua frente. Cada um deles fizeram pequenas melhorias no edifício. A atual igreja foi concluída na década de 1930.
O primeiro pároco foi Monsenhor Antônio José Ferreira, que permaneceu até a sua morte em 1985, substituído pelo seu irmão, Pe. Ermano José Ferreira. Pe. Ermano permaneceu à frente dos trabalhos pastorais até sua morte em 1 de fevereiro de 2004. No mesmo ano, Cônego Antônio Eustáquio Barbosa assumiu e, no ano seguinte, Pe. Magno José Raimundo Murta. Desde 2010, a igreja tem como pároco, o Pe. Daniel Marcos Lima.
Clique aqui e baixe, em PDF, o Decreto.
Texto: Marco Antônio Pereira de Rezende
