A emigração infantil é um fenômeno que, apesar de uma inversão geral da tendência e de uma diminuição nos últimos anos em relação ao passado (especialmente em 2023, annus horribilis), continua registrando números elevados. Somente em 2025, segundo dados do Unicef, chegaram à Europa mais de 35 mil menores de um total de mais de 155 mil. Nos primeiros meses de 2026, o total de refugiados e migrantes que chegaram na Europa ultrapassou a marca de 37.200, e, desses, um em cada cinco é um menor.
A mensagem do Papa
Para todas essas crianças e adolescentes, arrancados dos seus lares e dos seus entes queridos, o Papa, já em sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, publicada em 14 de agosto, clamava por proteção, plena garantia dos direitos, respeito à dignidade e também à identidade cultural, de modo a prevenir o outro perigo: a radicalização. “O clamor dos menores deslocados eleva-se hoje a Deus”, afirma Leão XIV no documento, exortando as instituições a promover o reencontro familiar e a evitar o trauma dos repatriamentos. É urgente, segundo a mensagem, uma “mudança de perspectiva”, dando centralidade “à proteção e à dignidade de cada criança e adolescente” e reafirmando “o princípio do interesse superior do menor”.
Texto: Salvatore Cernuzio – Vatican News