Entre os anos de 1753 e 1928 o velho Palácio da Olaria, em Mariana (MG), foi residência para os Bispos e Arcebispos da Arquidiocese de Mariana. Dentre eles, um eclesiástico se destaca pela criação de um dos primeiros jardins paisagísticos do Brasil: Dom Frei Cipriano de São José. Ilustrado, culto, leitor assíduo e, sobretudo, apaixonado pelas ciências naturais, era um virtuoso sacerdote.
Durante seu pastoreio na Capitania de Minas Gerais, a residência oficial não era apenas sede de decisões, mas espaço de cultura, experimentação e beleza.

A parte exterior das residências, era comumente chamada de “quinta” — um terreno com árvores frutíferas, horta, plantas medicinais e animais de pequeno porte. Entre 1801 e 1809, Dom Frei Cipriano idealizou e iniciou uma transformação ousada que converteu seu quintal em um jardim ornamental aos moldes europeus, como os de Portugal e da França.
O espaço era composto por canteiros geométricos, tanques com repuxos d’água, caminhos simétricos, recantos de sombra e fontes esculpidas. Era um jardim de contemplação, mas também de estudo, um espaço onde natureza e ciência se encontravam sob a luz da fé.

Aquarela do ano de 1809 que retrata o Palácio da Olaria e seu jardim durante o episcopado de Dom Frei Cipriano. A obra é atribuída ao Padre José Joaquim Viegas de Menezes (Padre Viegas).
O que foi criado pelo prelado não foi esquecido graças as aquarelas do Padre José Joaquim Viegas de Meneses, pintadas entre os anos de 1801 e 1809. Hoje preservadas, podemos ver a disposição dos canteiros, as fontes, os coqueiros imperiais e até mesmo a famosa “Fonte da Samaritana”, esculpida por Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.
Quando o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire visitou Mariana (MG) em 1817, ficou impressionado. Vindo de uma longa jornada pelas paisagens rudes da colônia, ele não esperava encontrar ali, no alto das montanhas mineiras, um jardim tão bem traçado, que lembrava os parques aristocráticos da Europa. Para ele, aquele espaço era um oásis de ordem, de arte e de ciência em meio à rusticidade da colônia portuguesa.

O Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, ao lado da Fonte da Samaritana, que atualmente está exposta no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, em Mariana (MG). A obra é datada de 1802.
Pouco depois da visita de Auguste, Dom Frei Cipriano faleceu. Após a morte do Bispo, o jardim entrou em decadência. Não houve continuidade no cuidado ou preservação do espaço e, com o tempo, a vegetação voltou ao simples modelo colonial.
Esse artigo é baseado nos estudos publicados pelo historiador Moacir de Castro Maia
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Texto: Paulo César Gouvêa/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Arquivo Arquidiocese de Mariana