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Diáconos transitórios serão ordenados presbíteros em novembro

10 de outubro de 2022 Arquidiocese

Coroando a caminhada vocacional, cinco jovens da Arquidiocese de Mariana serão ordenados presbíteros no dia 19 de novembro. São eles: Diác. Johny Sales de Figueiredo Dias, Diác. Pedro Hugo Alves Talin, Diác. Róbson da Cunha Chagas, Diác. Vitor Nogueira de Campos e Diác. Wesley Pires dos Santos.

Em sintonia com o terceiro Ano Vocacional, que será aberto no dia 20 de novembro, os diáconos escolheram como passagem bíblica para iluminar este momento o mesmo o lema do Ano Vocacional: “Corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24, 32-33). A celebração será presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, às 10h, na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, em Conselheiro Lafaiete (MG).

Em conversa com o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (Dacom), os jovens compartilham sobre a experiência no ministério diaconal e as expectativas para a ordenação. Confira:

Os jovens foram ordenados diáconos em 07 de maio deste ano. Foto: Thalia Gonçalves

Dacom: Vivendo ainda essa experiência do ministério diaconal, para você, o que significa a aprovação para ser ordenado presbítero? Quais são as expectativas até a tão aguardada data?

Diác. Johny:  Durante o tempo do diaconado foram muitas as experiências vivenciadas no ministério que serviram para o meu amadurecimento pessoal e vocacional. Dentre elas destaco o acompanhamento aos enfermos, oportunidade para ser sinal de esperança e de fortaleza quando o outro se encontra na sua mais extrema fragilidade corporal. Também destaco o acompanhamento às comunidades da paróquia, aproximando-me de cada uma delas respeitando o seu jeito de ser e de viver a fé, mas procurando enriquecer e colaborar para que a sua experiência com Deus pudesse ser a mais proveitosa e madura possível. 

Enfim, ser aprovado para o ministério dos presbíteros é reconhecer que essas experiências devem fazer parte de minha vida e vocação. Reconheço que a alegria e a emoção tomam conta de mim durante todo esse tempo, que tem sido intenso, de preparação para a ordenação. Espero que neste pouco mais de um mês consiga viver intensamente o meu ministério, fazendo ao mesmo tempo uma recordação da minha história vocacional, conseguindo chegar àquele sonho de criança, que me trouxe até aqui: SER PADRE. 

Diác. Pedro Hugo: A aprovação para a Ordenação Sacerdotal representa, antes de tudo, o aprofundamento na experiência do serviço total a Deus nos irmãos, vivendo o ministério ordenado. A acolhida da Igreja e a confiança de nosso Arcebispo e Presbitério, no pedido que fiz para o segundo grau do Sacramento da Ordem, são pra mim confirmação da vontade do Senhor que sinto arder no coração pedindo que avance para as águas mais profundas para lançar a rede para a pesca (cf. Lc 5,4). É um momento de imensa alegria transbordante, por perceber que o Senhor nos escolhe enquanto frágeis instrumentos para trabalhar em Sua obra. 

Neste tempo mais imediato de preparação para a data da ordenação, acredito que minha maior expectativa seja de oração intensa para fazer a experiência de um maior aprofundamento da humildade necessária para a vivência do ministério. Marca-me muito fortemente também, a expectativa de que todos os nossos irmãos e irmãs que nos acompanharam desde o início do processo de discernimento vocacional e também durante o tempo de formação possam viver com toda a Igreja a alegria que nos vem do Espírito do Senhor deste momento que representa a viva ação e presença de Deus no mundo.

Diác. Róbson: Recebi com muita alegria e gratidão a Deus a aprovação para a ordenação sacerdotal. Sei de minhas limitações e vulnerabilidade, mas me enche de esperança saber que o sacerdócio não é uma conquista ou um mérito, mas é “dom e mistério” da iniciativa salvífica de Deus. O sacerdócio é de Cristo, sou chamado a participar desse sacerdócio e assim, com Ele, n’Ele e por Ele, doar a vida e servir com alegria e esperança a todos os filhos de Deus. Durante todos estes dias tenho refletido que carrego em “vasos de barro” o grande tesouro da vocação sacerdotal. Jamais saberei explicar tamanha graça e, por isso, procuro não perder de vista as raízes ou motivações do chamado de Deus.

Diác. Vitor: A experiência do diaconato me impulsiona ao presbiterato. A aprovação para esse significa avançar ainda mais na essência do sacramento da Ordem: o serviço, o pastoreio. Mesmo com meus pecados, pude viver, de forma bela, a diaconia aos pobres, aos doentes, às pastorais, aos jovens, às famílias  e especialmente aos sacramentos. Sendo padre, intensificarei minha doação nesse sentido, servindo naquilo que a Igreja me confiará a mais como dispensador. A expectativa é de que abraçando o presbiterato, abraçarei a felicidade em Cristo, que é a meta da vida.

Diác. Wesley: Ser aprovado para o segundo grau da ordem é, com toda certeza, a confirmação do chamado de Deus para tal vocação. Coroamento de todo um caminho, que agora é confirmado por meio da Igreja para o serviço de Deus e dos irmãos. Um misto de sentimentos toma conta do coração, alegria e, ao mesmo tempo, sentir o peso da responsabilidade que é tão grande. Mas creio firmemente que Aquele que me guiou até aqui, continuará me sustentando nesse caminho. Creio que essa é uma festa para toda a Igreja e sinal de esperança em tempos tão difíceis, mostrando que Deus não desampara o Seu povo mas envia pastores conforme o seu coração.

Foto: Caio Amora

Dacom: Qual foi o lema presbiteral escolhido e por quê?

Diác. Johny: “Senhor, cantarei eternamente a vossa bondade.” (Sl 88). Esse é o lema que escolhi para minha vida e que penso resumir bem a minha história vocacional. O verso deve ser analisado em seu conjunto do Sl 88. É um salmo de súplica e louvor, no qual é ressaltada a promessa que Deus faz de escolher e conduzir o escolhido. “Encontrei o meu servo Davi, e o ungi com meu óleo santo, para que minha mão esteja sempre com ele, e o meu braço o torne valoroso.” (Sl 88, 21-22) Penso que esses breves versículos do salmo nos conduzem a um chamado do Senhor de modo bastante intenso e encorajador. Quem nos convoca é Ele, e por sua vez é Ele quem nos prepara e nos acompanha. Essa é a certeza que qualquer vocacionado deve ter diante dos seus olhos, principalmente, quando o medo invade o coração: “minha mão estará sempre com ele.” 

Diác. Pedro Hugo: Desde a infância, quando o desejo de ser padre se manifestava em minha vida, inspirava-me o contato com os padres que trabalhavam em minha terra. Os contatos que tive com Dom Luciano nessa época marcaram-me profundamente também. No decorrer do processo formativo, fui percebendo como o testemunho de vida e entrega total ao Senhor são necessários para a vida do presbítero. Rezando, ainda quando estava no Grupo de Orientação Vocacional, essas imagens se uniram e concretizaram na figura do Cristo Bom Pastor. O avançar no processo formativo e o amadurecimento, fizeram com que estas experiências da minha vida se firmassem ainda mais, percebendo como o padre diocesano é chamado a viver esta espiritualidade do Bom Pastor.

“O bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11), é a abertura total para que Deus seja manifestado na vida daquele que se coloca a serviço. Serviço de todos, alegria de todos, edificação de todos em um tempo delicado e numa realidade complexa em que se vê o aumento da divisão, o favorecimento de alguns e a exclusão de tantos. Ser padre, para mim, representa a intensidade dessa perspectiva de abrir-se totalmente a Deus para ser transbordamento de Deus no mundo. Significa o desejo de servir o tempo todo, com toda a vida, doando-me inteiramente para que aqueles com quem estiver e onde estiver tenham vida, a verdadeira Vida. Por isso, entendi que minha vida e ministério devem se pautar no “Para que tenham vida” (Jo 10,10) de Jesus.

Diác. Róbson: Deus sempre agiu de modo generoso em minha vida. Por isso, sou muito grato a Ele e a todas as pessoas que colocou em vida. Sou muito feliz por isso! Por ter recebido inúmeros benefícios de Deus, por ser tão amado por Ele, penso que me cabe ser um transmissor da Boa Notícia; ser sinal da esperança diante de um mundo tão machucado e ferido. Acredito que descobri o sentido da minha esperança: Jesus Cristo. Isso não me deixa desistir ou capitular. Este mundo não tem uma finalidade em si, a vida não termina aqui. 

Por isso, anunciar a Esperança, a Esperança que é Cristo, se torna para mim uma grande meta e modo de vida: “em Cristo a Esperança” (Ef 1,12). “Cristo é a nossa esperança e tudo o que Ele toca se torna jovem, se torna novo, se enche de vida” (Papa Francisco). Por isso, devemos deixar ser tocados pela novidade do seu Evangelho, a fim de sairmos dos porões existenciais e sermos iluminados de novas esperanças. É a esperança em Cristo que move a vida do seu discípulo e que auxilia a pessoa a recomeçar.

Diác. Vitor: Escolhi, como lema presbiteral, o versículo 12 da segunda carta a Timóteo: “Sei em quem depositei a minha fé”. Essa passagem, que tenho no coração há anos, expressa a razão do meu ministério, uma certeza esperançosa, imperfeita e basilar. Não é em mim ou nas pessoas, apesar de perpassá-las, que se encontra o sentido do meu sacerdócio, mas naquele que me amou e por mim se entregou (cf. Gl 2, 20), Naquele que faço a experiência cotidiana de sua graça e Naquele para o qual vivo e viverei eternamente. O trecho selecionado é e será um refrão nas alegrias e tristezas de meu ministério, dando-me confiança na caminhada.

Diác. Wesley: Escolhi o lema “Eu me fiz tudo de todos a fim de ganhar a todos ao Divino Mestre” (1Cor 9, 19). Primeiro porque esse foi o lema que guiou a vida do saudoso Cônego Jacinto Trombert, que foi quem sempre me inspirou na vocação, zeloso sacerdote que guiou por 46 anos o povo firminense, paróquia onde nasci e cresci na fé. Depois, porque rezando a vocação ao longo desses anos de caminhada, e também pelo contexto atual vivido pela Igreja, desejo pautar minha vida e meu ministério na proximidade e no caminho da sinodalidade ― acredito que esse é o caminho que a Igreja deve viver, da comunhão e da participação. Por isso, acho que esse lema diz tudo para mim e peço a Deus a graça de viver, como diz São Paulo, vivendo no serviço aos irmãos, sendo canal e instrumento da graça de Deus como ministro do Evangelho.

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