sexta-feira

, 19 de agosto de 2022

Padre Darci Fernandes Leão marca presença na cerimônia de assinatura da Lei de criação do museu de Mariana

10 de fevereiro de 2022 Arquidiocese

A Arquidiocese de Mariana participou nesta quarta-feira, dia 09 de fevereiro, da assinatura da lei de criação do Museu de Mariana (MG). À ocasião, o Ecônomo e Procurador Geral desta Igreja Particular, padre Darci Fernandes Leão, participou representando o Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, que no momento se encontra no retiro espiritual do clero da Arquidiocese. 

Confira na íntegra a saudação realizada pelo padre Darci: 

“Excelentíssimo senhor Prefeito Municipal de Mariana, Juliano Vasconcelos Gonçalves, na pessoa de quem saúdo a todas as Autoridades e convidados presentes;

Excelentíssmo senhor Prefeito Municipal de Ouro Preto, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos;

Ilustríssimo senhores Vereadores Pedro Ulisses Coimbra Vieira e José Antunes Vieira, nos quais saúdo toda edilidade marianense;

Senhor Felipe Pires, representante do IEPHA/MG;

Caríssimo senhor Luiz Fernando de Almeida, Presidente do Instituto Pedra, através do qual cumprimento a todos funcionários e operários que trabalharam na reforma e restauração deste imóvel;

Senhorita Andréa Cristina Umbelino, digna Secretária de Cultura, Patrimônio Histórico, Turismo e Lazer de Mariana, na pessoa de quem saúdo a todos os que se empenham para a promoção e valorização da cultura municipal;

Aos caríssimos Colegas membros do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural – COMPAT, na pessoa de sua competente Presidente Ana Cristina Souza Maia, aqui representada pelo Dr. Marcílio Geraldo Vieira de Queiróz, que não mede esforços no apoio e na viabilização da preservação do nosso patrimônio, haja vista Mariana ter alcançado por 15 anos, o primeiro lugar no ICMS Cultural de Minas Gerais.

Prezados Secretários Municipais e Munícipes aqui presentes:

 Aqui estou dirigindo-lhes estas palavras por delegação e solicitação de Dom Aírton José dos Santos, que se encontra, nesta data, pregando retiro espiritual ao Clero das regiões oeste e sul de nossa Arquidiocese, na cidade de Barbacena. Por isso, impossibilitado de comparecer, e neste ato representado por mim, pediu-me que a todos cumprimentasse e transmitisse que a Arquidiocese se sente feliz e honrada ao participar dessa cerimônia de assinatura de criação do Museu da Cidade.

A Arquidiocese de Mariana faz parte inerente da construção da cidade Marianense. Sabemos que Mariana foi elevada à cidade, pois aqui seria a Sede do Primeiro Bispado de Minas.  Este imóvel, antes de abrigar o Conde de Assumar, já era propriedade da Igreja, ligado ao Pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição que se tornaria a nossa Catedral da Sé.

Esta casa da Igreja, já servira muito à sociedade até mesmo como um pequeno hospital.

Este imóvel após ter sido a residência de D. Pedro de Almeida e Portugal, o famoso Conde de Assumar, entre os anos de 1717 a 1720, foi reformado pelo português, Pe. João Ribeiro, Vigário da Vargem, que o administrava em nome do seu compatriota Cônego Simões, Pároco da Matriz, que havia retornado a Portugal para tratamento de sua saúde. Essa reforma destinava-se a ser e como de fato foi, a sede do Primeiro Bispado.

Após o Bispo construir o Palácio da Olaria, hoje o antigo Palácio dos Bispos, este imóvel continuou na posse da Igreja Católica, por meio da Ordem Terceira de São Francisco que no mesmo terreno, aos fundos, construiu a belíssima Igreja de São Francisco de Assis, hoje em etapa final de restauração de seus elementos artísticos.

Muitos fatos marcantes de nossa história certamente aconteceram neste ambiente hoje visitado por nós! Muitas leis aqui assinadas pelo Conde de Assumar; muitos decretos religiosos de suma importância aqui foram redigidos. Possivelmente, antes da instalação do Bispado, nesta casa teria sido assinada a autorização para o culto e veneração a Nossa Senhora Aparecida pelo então Bispo do Rio de Janeiro, em visita pastoral à Mariana.

Vejam como é a história: os pescadores lançaram suas redes no Rio Paraíba para apanharem peixes para o “Conde de Assumar” em viagem para as Gerais do Ouro, quando encontraram a imagem da Padroeira, e, na casa sede do Governo de Assumar, foi assinada a licença para edificação da pequena capelinha que serviu de espaço para veneração da imagem em Aparecida.

Este edifício, desde os primórdios, esteve a serviço da sociedade, a serviço da Igreja, a serviço da urbe marianense que a viu nascer.

Aqui, como em todo nosso Município, a história da Igreja e da sociedade se encontram e a história de uma não é bem conhecida, sem o conhecimento da história da outra.

Ficamos contentes por saber que a assinatura da criação do Museu da Cidade, hoje é uma realidade porque muitos trabalharam e a construíram!

Essa assinatura hoje é realidade, porque houve a assinatura também da Arquidiocese em Termo Particular de Parceria com o Município de Mariana e com o Instituto Pedra, atendendo os comandos do BNDES para a reforma do Templo de São Francisco e desta sua casa adjacente.

Esta assinatura hoje é possível, porque houve a assinatura anterior da Arquidiocese e da Prefeitura de Mariana para a realização deste sonho.

Com este simbólico nome, Museu da Cidade, que irá indicar e contar a história, iremos sempre perceber uma história do Município e da presença sempre profícua e atuante da Igreja Católica.

A cessão pela Arquidiocese deste edifício, sem ônus, por 05 (cinco) anos, ao Município de Mariana, fortalece os laços da parceria firmada. A Arquidiocese, ainda, cederá, conforme tem caminhado as tratativas, importantes peças de seu acervo para a exposição neste novo e promissor Museu.

É a Arquidiocese cedendo o seu imóvel não mais para a morada do Conde de Assumar, uma pessoa de fora que deixou marcas positivas do seu serviço, mas também, muitas divisões e descontentamentos, para agora hospedar o Museu da Cidade, onde a Prefeitura com esta bonita iniciativa que contar a nossa história, numa perspectiva dinâmica e atual.

Que essa história seja contada para aprendermos com o passado e não repetirmos os seus erros. Que possamos viver bem o presente, construindo um futuro de diálogo e de paz.

A Igreja Católica, tal qual reconhece o Acordo Diplomático Brasil Santa Sé, tem os seus templos, imóveis tombados e sua imaginária, especialmente de veneração e de culto, protegidos, não podendo ser objetos de desapropriações e outras formas de desconstituição de suas titularidades, tal qual prescreve o artigo 6º e o parágrafo 1º, do mesmo artigo.

Infelizmente, embora poucas, ainda há pessoas que acham ser absurdo restaurar um templo com recursos públicos. Ressaltamos que esse conjunto, Igreja de São Francisco e Casa do Conde de Assumar, estão sendo restaurados, não por serem bens estritamente religiosos, mas por serem de grande relevância cultural.

É saudável mantermos na memória de que motivado pela fé católica, esses bens hoje também considerados culturais, foram produzidos e edificados. Ao admirar uma imagem por seu entalhe ou policromia, ao estudar um retábulo, uma pintura ou ao apreciar uma música sacra, é preciso retornar a origem e se convencer de que pela ação da Igreja, tal obra se produziu.

Ouso dizer que em nosso Município é a Igreja Católica que mais produziu ou inspirou a criação bens culturais, juntamente com a sociedade e pessoas de boa vontade.

Estou seguro que essa assinatura simboliza um avanço cultural para o nosso Município. Este ato não é simplesmente um ponto de chegada, mas o passo firme de quem está no caminho certo.

Por isso digo, parabéns ao Município de Mariana! Parabéns a nossa Arquidiocese e parabéns a todo nosso povo de Mariana e do Brasil por essa bela iniciativa, na cidade e na Arquidiocese primaciais das Gerais, que têm muito, ainda, a transmitir, ensinar e partilhar cultura nesse país e no mundo!

Para finalizar, registro os agradecimentos ao BNDES e a Vale S.A. pela sensibilidade em enxergarem a importância destes bens religiosos e culturais de nossa Mariana, e, através de sua ação, ajudar no resgate desta história!

Obrigado Prefeitura de Mariana, por sua determinação e coragem em criar e manter o Museu da Cidade!

Obrigado Instituto Pedra, por seu zelo e competência como Proponente e realizador destas grandes obras!

Obrigado povo fiel de Mariana, especialmente aos Irmãos e Irmãs da Ordem Terceira Franciscana Secular de Mariana, que com a sua ajuda e participação, contribuíram na edificação destes monumentos, em face dos quais nossos olham brilham ao vê-los restaurados e novamente entregues ao serviço da fé, da história e da cultura de toda Comunidade de Mariana, do Brasil e do mundo!

Muito obrigado!” 

Padre Darci Fernandes Leão

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