O céu ensolarado, embora o clima ainda seja marcado pelo frio típico da reta final do inverno europeu, acolheu os peregrinos e fiéis reunidos na Praça São Pedro para a oração mariana do Angelus com o Papa Leão XIV, neste I Domingo da Quaresma, 22 de fevereiro. Em sua reflexão, o Santo Padre deteve-se no Evangelho proposto pela liturgia (cf. Mt 4,1-11), que apresenta Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto, onde é tentado pelo diabo após quarenta dias de jejum.
O Papa recordou que Cristo experimenta o cansaço e as provações próprias da condição humana: a fome no plano físico e as tentações no plano espiritual. Resistindo ao demônio, porém, mostra a todos como vencer os enganos e as insídias do mal. A Quaresma, explicou, é um “itinerário luminoso” no qual, por meio da oração, do jejum e da esmola, os fiéis são chamados a renovar a própria cooperação com Deus na realização da “obra-prima única” que é a própria vida.
Leão XIV advertiu para o risco de se deixar seduzir por formas fáceis e imediatas de gratificação, como a riqueza, a fama e o poder, que também estiveram presentes nas tentações enfrentadas por Jesus. Essas propostas, sublinhou, são apenas substitutos pobres da alegria para a qual o ser humano foi criado e acabam por deixar o coração inquieto, vazio e insatisfeito.
Recordando o ensinamento de São Paulo VI, o Pontífice destacou que a penitência não empobrece a pessoa, mas a enriquece, purificando-a e fortalecendo-a no caminho que tem como finalidade o amor e o abandono confiante em Deus. Assim, a penitência torna o cristão mais consciente das próprias limitações, ao mesmo tempo que lhe dá a força para superá-las com a ajuda divina.