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Paróquia Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto, celebra os 14 anos do falecimento do saudoso Cônego Simões

23 de janeiro de 2023 Arquidiocese

Na última sexta-feira, 20 de janeiro, Ouro Preto (MG) recordou com gratidão e saudades a Páscoa eterna do seu filho querido e pastor por quase 50 anos da Basílica de Nossa Senhora do Pilar, Cônego José Feliciano da Costa Simões. Ao final da Celebração Eucarística, presidida pelo Pároco, Padre Adilson Luiz Umbelino Couto, às 7h, a paroquiana Rita Cota proferiu um texto, homenageando o zeloso sacerdote.

A seguir, reproduzimos a mensagem:

Há 14 anos, ouvíamos, consternados, esta notícia:

Faleceu na madrugada desta terça-feira (20), em Belo Horizonte (MG), o cônego José Feliciano da Costa Simões, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar de Ouro Preto e um dos maiores lutadores pela defesa do patrimônio cultural brasileiro. Por ele, os sinos dobram.

Padre Simões, meu vizinho, na Rua Getúlio Vargas, nasceu aqui, em Ouro Preto, filho de Dona Gabriela e de Seu Bianor Simões. Tinha, oito irmãos. Iniciou sua formação sacerdotal no Seminário Coração Eucarístico de Jesus, de Belo Horizonte, concluindo-a no Seminário Maior e Menor de Mariana, Minas Gerais. Graduou-se em Geografia, História e Ciências Naturais pela Faculdade Dom Bosco de Filosofia, Ciências e Letras da São João del Rei (MG), e especializou-se em História da Arte Sacra, Barroca e Filosofia da Arte pela Universidade de Sorbone, em Paris, na França.

Era conhecido nacionalmente por sua corajosa luta contra o saque do nosso histórico e cultural patrimônio. Em 1962, recuperou 18 obras de arte sacra que haviam sido roubadas de várias igrejas em Ouro Preto nas décadas de 50 e 60. Em fevereiro de 1996, depois de um processo de oito meses, recebeu, em Ouro Preto, a imagem de Nossa Senhora das Mercês, de autoria do Aleijadinho, desaparecida desde 1962. Recuperou também para a Arquidiocese de Mariana diversas obras ao longo de 30 anos.

Implantou, em Minas Gerais, um projeto visando à criação de pequenos museus em igrejas, sendo pioneiro o nosso Museu da Prata e Ouro, em 1965, na Igreja Matriz do Pilar. Coordenou ainda, junto com seu conterrâneo e colega sacerdote, hoje, o Bispo Emérito de Oliveira, Dom Francisco Barroso Filho, a implantação do Museu Aleijadinho na Paróquia de N. S. da Conceição e em 1987 inaugurou o Museu de Arte Sacra da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, os dois em Ouro Preto. Realizou, com a ajuda de seus colaboradores, entre os anos de 1984 e 1986, em apenas dois anos, o inventário dos bens móveis e integrados da Paróquia do Pilar, em parceria com a FIAT Automóveis e Fundação Roberto Marinho. Foi membro conselheiro do IEPHA-MG, na gestão do governador Tancredo Neves. 

Por seu valioso trabalho em defesa do patrimônio cultural brasileiro, Padre Simões foi homenageado pelo IPHAN em novembro de 2008, em cerimônia realizada em São João del Rei. Ele foi também um dos ganhadores do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade. O valor em dinheiro deste prêmio foi totalmente empregado, pelo Padre Simões na restauração do telhado da nossa igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.  Padre Simões foi condecorado com uma série de medalhas e prêmios: Medalha do Aleijadinho, de Santos Dumont, de Bernardo Pereira de Vasconcellos, de João Veloso, a Grande Medalha da Inconfidência e o Prêmio Nacional de Cultura. O Cônego Simões foi homenageado ainda por várias instituições e, em 1988, recebeu em audiência particular com o Papa João Paulo II, a Cruz Pontifícia de Prata, pela defesa da arte cristã em Minas Gerais e no Brasil.

Depois do Padre João, Monsenhor João Castilho Barbosa, foi o nosso Pároco por 46 anos, tendo assumido a Paróquia Nossa Senhora do Pilar em 1963. Uma vida inteira fiel à sua fé, à sua vocação, ao seu povo, em constante defesa daquilo em que acreditava.

 Nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009, o corpo de Padre Simões foi velado na capela-mór da sua mais querida casa, a Matriz de Nossa Senhora do Pilar. Numa triste quarta-feira, às 15h, foi aqui celebrada uma Missa de corpo presente. Em seguida, o Cortejo Fúnebre saiu pelas ruas de Ouro Preto para o Cemitério de São José, onde o padre, de acordo com a sua vontade, seria sepultado junto ao amigo João Pé-de-Rodo, figura popular de nossa cidade. Seguiu o cortejo, precedido e acompanhado por uma multidão de fiéis, de amigos, de admiradores que rezavam, choravam, cantavam ou de e até de antagonistas, que, apenas, silenciosamente, respeitosamente, prestavam suas últimas homenagens àquele que deixou seu nome, sua fé e sua luta na história desta cidade. Seguiu, assim, o Padre Simões para a sua igreja de São José, solenemente cercado pelos “doze anjos de prata do Pilar”, que ele tirou da imobilidade da decoração da capela-mor do Pilar e os fez realidade nas nossas ruas, nas principais solenidades, nas procissões em honra a Jesus Crucificado, a Jesus Sacramentado e à Virgem do Pilar.

Temos muito pra lembrar e sabemos que ele nos ouve, aqui e agora:

 _ Padre Simões, ainda hoje, “guardamos a fé!” Sim, do mesmo jeito que o senhor pedia. Ainda hoje procuramos cuidar da Catequese, da Primeira Comunhão, com o “Creio em Deus Pai, Todo Poderoso”, cuidadosamente ensaiado, o “Chegou o dia da querida festa”, o “Vinde, vinde, meu Jesus”, cantado não só pelas crianças, mas também pelos seus pais e avós, na saudade, lembrando quando receberam, aqui, Jesus pela primeira vez.

Sabe, não mais subimos, vestidas de anjo, pelas escadinhas armadas junto ao grande altar, mas, em maio, Padre, não deixamos de coroar as imagens de Nossa Senhora… Muito tem sido feito, o senhor sabe: procuramos, contando com a eficiente ajuda dos nossos queridos sacerdotes, seus sucessores, procuramos cuidar do nosso povo, das suas Igrejas, dos pequenos Passos da Semana Santa, das diversas capelas, nas suas festas, novenas e tríduos, e isso com o mesmo carinho e zelo  que aprendemos com o senhor. E, ainda hoje ainda hoje, temos o prazer em ouvir, diariamente, a sua voz na Rádio Itatiaia Ouro Preto, às 8 horas da manhã, quando, juntos, rezamos o Pai Nosso… Ainda e sempre, ouviremos, saudosos, quando  fizermos algo que não devíamos fazer,  a sua voz, surgindo num meio sorriso, em tom de ironia, advertindo: “Vocês são uns artistas!” “E vão todos para o céu!”    

Rogue a Deus por nós, Padre Simões! Olhe por nossos sacerdotes, pelo Padre Adilson, Padre Wesley e pelo Padre Gilsimar.  Que saibamos “guardar a nossa fé”, como o senhor nos ensinou.

 (Fontes de Pesquisa – reportagem da  Globo Minas  de 20//01/2009) e  http://portal.iphan.gov.br

Texto adaptado por Rita Maria Moraes Cota – paroquiana,  em homenagem, pelo dia 20/01/2023

*Com informações e foto da Paróquia Nossa Senhora do Pilar

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