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, 25 de maio de 2024

Pastoral Afro-Brasileira do Regional Leste 2 promove encontro em Conselheiro Lafaiete

03 de outubro de 2023 Arquidiocese

Com o tema “Retomar o caminho e anunciar as forças vivas do povo negro” e o lema “Louvai-o com tambores e a dança” (Salmo 150, 4), a coordenação da Pastoral Afro-Brasileira (PAB) no Regional Leste 2 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promove dos dias 12 a 15 de outubro, em Conselheiro Lafaiete (MG), o Encontro Mineiro da PAB.

Segundo os organizadores, o objetivo do encontro é compreender a importância das diversas iniciativas afros para o fortalecimento da Pastoral Afro-brasileira em Minas Gerais.

Com a estimativa de que 80 agentes da pastoral de todo o estado participem, a expectativa é que o evento seja um momento de reflexões, vivências da espiritualidade e construções coletivas sobre a história da PAB no Brasil.

Conheça a logo do evento

Arte: Ramon Teixeira

O desenho se trata de uma espécie de releitura da conhecida logo da PAB. Como se notará, foram operadas algumas inversões.  Na posição dos mapas:  o mapa do continente africano vem primeiro. Nas cores em que cada mapa foi colorido. Diferente da logo original, o mapa da África foi tingido de verde e o do Brasil, foi tingido de preto.

E por fim, a inversão maior, está na disposição das representações cartográficas do continente africano e do Brasil. Os mapas estão “de cabeça para baixo”. Essas maneiras de dispor as informações gráficas do desenho não são gratuitas. As inversões se deram para tirar o interlocutor da obra do “lugar comum”, a fim de ressituar seu olhar e suas reflexões. A inversão da posição dos mapas, deixando-os “de cabeça para baixo” foi inspirada na famosa arte “América Invertida” – um desenho a caneta e tinta de 1943 – do artista hispano-uruguaio Joaquim Torres Garcia.

Tendo em vista o tema do encontro, “retomar o caminho e anunciar as forças vivas do Povo Negro”, é possível ver que no Brasil, o povo de Minas Gerais se encontra em festejo ecumênico e inter-religioso – reunido para louvar a Deus com dança e tambor (Salmo 150, 4) – e em atitude de acolhimento a tudo o que vem do continente africano. O que vem da África é representado pelo povo negro que vem de barco, conduzido pelas ondas e os ventos “do Sul”.

Aqui, cabe uma ressalva: com a representação mais alegre desse trânsito de pessoas, coisas e valores, não se quer amenizar o doloroso modo como o povo africano veio trazido de África até o nosso país, mas, se quer representar que para além de toda a dor e sofrimento vividos e que marcam a memória, os povos africanos em toda a sua diversidade, trouxeram também   suas   histórias,   causos,   costumes,   musicalidade,   religiosidade,   indumentária   e corporalidade – que podem ser vistos em destaque representados por alguns elementos dispostos dentro do mapa da África. No mapa se vê: o turbante, o símbolo da árvore ancestral, o pandeiro, os tambores, os colares, as ervas e plantas medicinais e de proteção e os paramentos das religiões de matriz africana.

Abaixo, vemos amparando toda a cena, duas mãos negras. Uma, próxima ao mapa da África, a mão de uma mãe de santo com os búzios, pulseiras e argolas. A outra, uma mão envolta pelo rosário, representando a fé em Nossa Senhora – que como nos ensina a música cantada pelas congadas, marujadas e guardas de Moçambique, em tempos de cativeiro (e hoje) era a Ela que se recorria. As duas mãos abençoam essa trajetória. Abaixo das mãos, como uma espécie de fundamento que sustenta toda essa história de luta e fé da PAB, encontra-se a Bíblia Sagrada aberta. Símbolo de uma história que continua a ser lida, interpretada, seguida e reescrita nos dias de hoje, das mais diversas formas, cores e matizes.

Por fim, os mapas sinalizam a potencialidade da manutenção da memória e identidade – marcada, muitas vezes, pela transmissão oral de saberes e conhecimentos – e do diálogo entre as culturas e religiosidades.  Os elementos da arte sinalizam a história que é sempre um livro a ser escrito, ou uma história a ser contada por cada povo. Com isso, se quer dizer que neste Encontro Mineiro da PAB, para o qual a arte foi pensada, será escrito mais um capítulo dessa história viva do Povo Negro.

(Texto adaptado)

Arte e texto: Ramon Teixeira