sábado

, 13 de julho de 2024

Presidência da CNBB apresenta balanço da gestão 2019-2023

17 de abril de 2023 Igreja no Brasil

Com a proximidade da 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a ser realizada de 19 a 28 de abril, em Aparecida (SP), cuja temática principal estará voltada à avaliação global da caminhada da CNBB, a Assessoria de Comunicação da entidade entrevistou cada um dos componentes da atual presidência, para que fizessem um balanço de sua gestão (2019-2023), uma vez que essa Assembleia também terá caráter eletivo e definirá os próximos membros.  

Saiba o que disse cada um dos membros da presidência:

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

O Arcebispo de Belo Horizonte (MG), Dom Walmor Oliveira de Azevedo, foi eleito dia 6 de maio de 2019, como presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para o quadriênio 2019-2023. Primeiro baiano a estar à frente da organização, dom Walmor foi escolhido, em terceiro escrutínio, pela maioria absoluta de votos do episcopado brasileiro na 57ª Assembleia Geral da CNBB.

Quais desafios foram enfrentados pela presidência da CNBB neste último quadriênio?

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfrentou muitos desafios. Neste último quadriênio, o mundo sofreu com as consequências de uma grave pandemia, que vitimou muitas pessoas, enlutou famílias. A Igreja, neste contexto, mesmo nas fases mais agudas de transmissão da doença, com o necessário distanciamento social, intensificou ainda mais o seu trabalho de amparo espiritual e social. Para isso, rapidamente aprendeu a lidar com as novas ferramentas tecnológicas de comunicação, fazendo-se presente no dia a dia das pessoas de muitas formas. Criou também ações para minimizar o sofrimento daqueles que passaram pelas consequências econômicas da pandemia, referência especial à iniciativa “É tempo de cuidar”. Oportuno dizer que, neste último quadriênio, o Brasil viveu uma escalada das polarizações, com rupturas, inclusive, dentro das famílias, provocadas por desavenças político-ideológicas. Um cenário triste, emoldurado pela disseminação crescente de notícias falsas. Um momento ápice dessas polarizações foi vivenciado no último processo eleitoral.

A CNBB, coerente com o que ensina Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor, sempre se manteve ao lado dos pobres, fiel aos valores do Evangelho, elevando, corajosa e profeticamente, a sua voz, para denunciar ameaças à sociedade e à democracia, e descasos para com os mais pobres. Fiel a esse compromisso, a CNBB buscou sempre o caminho do entendimento e do diálogo, unindo-se a instituições sérias, de credibilidade, em um grande Pacto pela Vida e pelo Brasil.

Cada gesto da presidência não foi ato monocrático, mas fruto de uma escuta atenta, sempre em busca de expressar o que vem do coração de todo o episcopado brasileiro. A CNBB é instância e expressão da colegialidade dos Bispos do Brasil, em profunda unidade com o magistério do amado Papa Francisco.

Quais prioridades para a CNBB e a Igreja no Brasil considerando o próximo quadriênio?

A Igreja Católica, em todo o mundo, busca investir cada vez mais na sinodalidade, acolhendo convocação vinda do luminoso magistério do Papa Francisco. A CNBB, que já é expressão da sinodalidade na Igreja, reunindo as muitas contribuições do episcopado brasileiro, a participação de evangelizadores consagrados e cristãos leigos e leigas, precisa avançar sempre mais neste caminho sinodal. Isto significa intensificar continuamente os nossos serviços às muitas comunidades de fé, em todo o território nacional, promovendo mais ampla participação, com atenção especial à participação das mulheres.

Importante lembrar que as novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora no Brasil serão construídas também a partir do exercício da sinodalidade, reunindo contribuições do documento final do Sínodo dos Bispos. Haverá, pois, um caminho bonito no próximo quadriênio, fruto da ampla escuta que a Igreja vem fazendo para este processo sinodal, e que levará também às novas Diretrizes Gerais para a Ação Evangelizadora no Brasil.

Dom Jaime Spengler

O Arcebispo de Porto Alegre (RS) e primeiro vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler, destacou aspectos que marcaram a gestão da atual presidência.

Que aspectos o senhor destaca da gestão de vocês à frente da CNBB no período de 2019-2023?

A pandemia do Covid-19 exigiu decisões e posições desafiadoras… Foram tempos delicados que proporcionaram caminhos até então inimagináveis e, portanto, aprendizados. O contexto socio-político-eclesial também exigiu senso crítico, bom senso, determinação. Neste contexto, vale também ressaltar o Pacto pela Vida e pelo Brasil, firmado conjuntamente por outras entidades da sociedade civil.

O que conduziu e orientou a ação desta da presidência na condução da Conferência neste período?

O que conduziu e orientou a ação da presidência não poderia ser outra coisa senão o desejo de colaborar para fomentar a razão mesma de ser da Conferência: promover a comunhão entre os Bispos. Leia a entrevista na íntegra AQUI

Dom Mário Antônio Silva

Para o segundo vice-presidente da conferência, arcebispo de Cuiabá (MT), dom Mário Antônio Silva, o desafio dessa gestão se dividiu entre a unidade e a comunhão do episcopado e a sinodalidade na Igreja no Brasil tão defendida Pelo Papa Francisco.

Dom Mário destacou ainda a fase difícil da pandemia da Covid-19 e todos os desafios que tiveram de ser superados por causa do distanciamento social e a preocupação da presidência com a gestão e a sustentabilidade da CNBB. Leia, abaixo, a entrevista na íntegra.

Que aspectos o senhor destaca da gestão de vocês à frente da CNBB no período de 2019-2023? 

Destaco o espírito de comunhão entre os membros da presidência à serviço da Conferência Episcopal e da Igreja no Brasil. Destaco a comunicação clara e objetiva, procurando semear a Esperança nas questões difíceis e partilhar as alegrias nos fatos celebrativos. Também destacou a preocupação da nossa presidência com a gestão e a sustentabilidade da CNBB no quadriênio que se finda e também no planejamento para o próximo ano. 

O que conduziu e orientou a ação desta da presidência na condução da Conferência neste período?

O Espírito Santo nos conduziu e nos iluminou dando-nos a possibilidade de indicar caminhos de unidade e de sinodalidade. Nos orientou a força da palavra de Deus e a confiança do povo brasileiro em nossa conferência na luta pelas causas eclesiais e sociais. Leia a entrevista na íntegra AQUI

Dom Joel Portella Amado

A pandemia do novo coronavírus, a proteção de dados pessoais, as adequações na gestão, o uso da tecnologia virtual e as polarizações são alguns dos desafios que a atual presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enfrentou nos últimos quatro anos. Mas a unidade e a colaboração permitiram a superação. Essa é uma das impressões partilhadas pelo bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ) e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella Amado, em entrevista de balanço da atual gestão. Para dom Joel, “uma alegria destacável foi a capacidade de enfrentar os desafios que surgiram”.

Dom Joel avaliou a gestão a partir de três frentes de atuação da CNBB: a evangelizadora, a gestão dos bens temporais e a do diálogo com a sociedade e o governo. Esses âmbitos conduziram e orientaram a ação da atual presidência, a partir da indicação feita pelo presidente, dom Walmor Oliveira de Azevedo, que definiu a gestão, a formação integral e o diálogo com a sociedade como princípios de atuação.

No campo evangelizador, destaque para a travessia do período da pandemia e a necessidade de compreensão do termo “comunidades eclesiais missionárias”. No âmbito da gestão, o destaque às transformações trazidas pela Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), as mudanças de gestão internas na Conferência. Sobre o diálogo, “foi preciso praticar intensamente a capacidade de diálogo”.

Sobre os pontos centrais e desafiadores para os próximos anos, dom Joel citou os já destacados na atuação da presidência e também os desafios sociais, os quais, “em algumas situações se agravaram, tornando-se humanitários: a fome, situações análogas ao trabalho escravo, espoliação do meio ambiente, aborto, entre outras”.

“Não há, na verdade, uma questão desafiadora, mas um conjunto de questões em torno da vida e da paz, concretizadas em uma Igreja comunhão de carismas e em uma sociedade efetivamente democrática”.

Dom Joel considera que “não são várias questões, uma ao lado da outra, mas uma única questão com diversas facetas”. Tudo está interligado e são alguns dos desafios para os próximos anos que, segundo dom Joel, valem para a CNBB e valem para a Igreja toda, em cada diocese, esteja onde estiver, em cada comunidade e mesmo em cada cristão e cristã. Leia a entrevista na íntegra AQUI

Texto: CNBB – modificado 

Imagens: CNBB

Veja também:

Episcopado brasileiro é formado por 483 bispos, somando os prelados ativos e eméritos