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“Puebla é um espírito. Não é só um evento”, afirmou Cônego Lauro na Semana Dom Luciano

26 de agosto de 2019 Arquidiocese

“Puebla é um espírito. Não é só um evento. É um marco na caminhada evangelizadora da Igreja na América Latina”, ressaltou o cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa, pároco da paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Viçosa, durante sua palestra na Semana Dom Luciano, sediada pela Região Leste na última sexta-feira (25), na igreja São José, em São José do Triunfo, Viçosa.

Cônego Lauro foi o primeiro da noite a falar sobre o tema “Os rostos da desolação” – baseado nos 40 anos de realização da Conferência Episcopal Latina-America, em Puebla – para a platéia de cerca de 100 participantes, composta por padres, leigos e integrantes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que participavam do Encontro Arquidiocesano das CEBs. “Este documento foi preparado com muito carinho durante uma década de martírios, de regimes militares, e teve pelo menos dois anos de preparação, inclusive com a participação das massas”, lembrou o cônego.

Ele deu destaque aos discursos de abertura das três conferências episcopais feitos por São Paulo VI, São João Paulo II e Bento XVI, e ressaltou que “sempre são discursos marcantes. É interessante que não é em todo lugar que tem esse tipo de discurso. Isso é nosso. Os outros continentes não fazem conferência, o máximo que fazem é sínodo”.

Missão

O pároco da Paróquia São Gonçalo, de Acaiaca, padre José Raimundo Alves, comentou sobre sua experiência missionária na Prelazia de Itacoatiara, no Amazonas. Segundo ele, “só quem vai lá sabe o desafio que é e vê os heróis que estão lá: padres, bispos, irmãs. Quem está lá arrisca a vida em todos os sentidos, navegando pelos rios imensos, com possibilidade de contrair doenças como a malária. A Igreja lá está viva e tem um papel fundamental”.

Padre José Raimundo comentou que se questionava como a Igreja podia ter tanta força por lá. “Eu ficava imaginando: quatro horas de barco para chegar lá naqueles cantos e eles estavam todos animados”, contou. O alcance das Redes de Televisão Católica e a Piedade Popular foram as respostas as quais conseguiu chegar. “Houve um caso de que tentaram converter um senhor para outra religião e ele dizia que queria morrer católico. Ficou muito sentido quando eles chegaram lá e pediram para ele jogar fora a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Ele me contou chorando, dizendo que foi seu pai que ensinou que precisava beijar a imagem do santo para pedir vida longa e saúde”, relata.

Protagonismo Juvenil

Inspirado nas palavras do Papa Francisco, o Seminarista Moisés Galinari, do 2ª ano de Filosofia, ressaltou a importância do protagonismo juvenil na vida da Igreja. “Não pode ser assimilado como protagonismo a ser exercido no futuro, mas sim a ser vivenciado no presente da história. Que nós, jovens, inspirados pelo Evangelho de Jesus Cristo, possamos testemunhar com responsabilidade a santidade de vida na Igreja e na sociedade civil”, disse.

Ele também relatou um pouco da sua experiência com as missões feitas junto ao Seminário. Segundo ele, o apredizado que fica é que um dos grandes pilares para a vocação sacerdotal é o povo de Deus. “O povo de Deus nos forma na sua simplicidade, no seu jeito de ser. Na sua inquietação, ele nos ajuda a compreender a vontade do próprio Cristo na nossa vida e, muitas vezes, as diversas realidades em que nós nos encontramos”, lembrou.

Moisés expôs que não se pode evangelizar sem entender a realidade do povo. “São situações que nos inspiram a ser, desde já, discípulos missionários de forma eficaz e de modo integral ao Evangelho de Jesus Cristo”.

Avaliações

O vigário episcopal da Região Leste, padre Ronaldo Gomes Chaves, identifica como coincidência a Semana Dom Luciano ser realizada no início do Encontro das Cebs. “É interessante porque o espírito eclesial de Dom Luciano e aquilo que ele imprimiu muito, as conferências que ele participou, é muito o que são as Comunidades Eclesiais de Base hoje. Uma Igreja que é comunhão, que é participação, uma Igreja que se realiza nas pequenas comunidades, lugar privilegiado de evangelizar”, destaca.

A logo do evento chamou a atenção do coordenador leigo arquidiocesano das Cebs, José Euzébio de Oliveira, que viu a comunidade de onde veio sendo representada. “O que me tocou muito foi o rosto do negro, do índio, porque eu venho de uma comunidade quilombola. Eu não sou, mas minha comunidade é. Convivi desde a minha infância com eles e eu vejo como são um povo sofrido”.

Ele lembra que a missão das CEBs é exatamente o que Puebla pede: lutar pelos pobres, vendo Cristo no rosto da pessoa que sofre e lutando para amenizar este sofrimento. “A gente fala muito ‘fechamos o encontro com chave de ouro’, mas o 32º Encontro da CEBs nós abrimos com chave de ouro. Foi uma benção esta palestra da 2ª Semana Dom Luciano na abertura do encontro”, avalia.

 

Fotos: Ailton Adriano/Pascom Paróquia Nossa Senhora de Fátima, de Viçosa

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