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Restaurada, Matriz de Nossa Senhora da Conceição é reaberta em Cachoeira do Brumado

28 de novembro de 2022 Arquidiocese

Após dez anos do início das obras e quase dois anos de fechamento da igreja, foi reaberta, ao culto e a visitação, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Cachoeira do Brumado (distrito de Mariana – MG), no último domingo, 27 de novembro. 

Com recursos advindos do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural – FUPAC, deliberados pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Mariana, mais fundos próprios do município e esforços dos moradores do distrito de Cachoeira do Brumado, a Matriz foi completamente restaurada, em obras civis e elementos artísticos.

Foto: Magu Tavares

A reinauguração da igreja, aconteceu logo após a procissão, saindo da capela de Nossa Senhora das Graças, conduzindo a imagem da padroeira, Nossa Senhora da Conceição, até a Matriz, a qual foi abençoada e reaberta pelo Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, que também presidiu a santa missa, que foi concelebrada pelo Padre José Geraldo Coura, mais conhecido como Padre Juca, administrador da Paróquia local. 

Estiveram presentes na cerimônia autoridades da igreja e do município, como o ecônomo da Arquidiocese de Mariana, Padre Darci Fernandes Leão, o formador do Seminário Arquidiocesano São José, Padre Sérgio José da Silva, o ex- prefeito de Mariana, Duarte Eustáquio Gonçalves, o presidente da Câmara Municipal, Juliano Vasconcelos Gonçalves, e o ex- vereador, José Jarbas Ramos, além de leigos, religiosos e moradores do distrito. 

Durante a cerimônia, o Arcebispo de Mariana, Dom Airton, parabenizou o trabalho realizado pelo Padre Juca, na administração da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, agradeceu a presença das autoridades presentes e também falou sobre a importância de conservar a restauração realizada. 

“Nós todos estamos contentes por entrarmos de novo por essa porta da igreja e celebrarmos a eucaristia. Claro que tem coisinhas que nós vamos ajustando. Ninguém faz tudo de uma vez. E os fiéis aqui, as pessoas que estão mais próximas, os ministros, coordenadores, catequistas sabem que deu um trabalho enorme e, agora, nós temos que cuidar do que foi feito. Verificando os detalhezinhos, para não deixar perder, para que nós possamos utilizar esse espaço bem e por mais tempo, é preciso conservar. Toda restauração tem um momento, um período de conservação e, esse momento é o mais trabalhoso também, o mais exigente, mas precisamos conservar aquilo que conseguimos juntos refazer, restaurar, trazer de novo. Então, é responsabilidade de todos nós”,destacou Dom Airton.

A reabertura solene da porta principal da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a entrada pontifical contou com a apresentação e a acolhida da imagem da padroeira pela banda  “Sociedade Musical Oito de Dezembro”. Em seguida, foi realizado o rito de bênção da igreja e a Coroação de Nossa Senhora da Conceição, bem como, a leitura e a assinatura da ata de reinauguração. Para fechar o momento com chave de ouro, as autoridades presentes deram destaque a inauguração da placa da igreja. Tudo isso terminou com salvas de palmas, sorrimos e relatos de muita alegria e realização, como o da professora e historiadora, Aparecida Ramos de Lima, que é nascida e criada em Cachoeira do Brumado. 

“Eu tive o prazer de ver a minha igreja da forma como ela foi construída. Lógico, com algumas mudanças que são feitas pelo tempo, mas a igreja voltou às características originais. Acho que isso é muito importante, saber como as pessoas daquela época pensavam quando construíram isso.  Através das reformas, descobriram desenhos que a gente sequer imaginava que existissem nas paredes desta igreja. A gente pode ter mesmo noção de como foi difícil a construção dessa igreja. São pedras enormes, pesadas, que estavam escondidas, porque estavam tampadas por tábuas. Então, a gente não tinha noção da grandiosidade dessa obra. Sempre foi uma igreja considerada muito bonita, mas ela tinha muitas cores. Cores essas que a gente percebe agora que foram surgindo com o decorrer dos anos. Mas o original da igreja é muito mais bonito. São cores que combinam entre si, são cores com um significado religioso. A igreja tem isso de coisas com significados. A gente percebe que na construção da igreja usou-se muito a simbologia bíblica, mas com o passar do tempo ela foi se perdendo. A gente tinha influências também das pessoas que vieram de fora na época dessa construção e isso apareceu agora. A igreja estava com a estrutura muito debilitada, com muita madeira comprometida, a gente sabe hoje que se não fosse essa reforma, tão aprofundada, a gente poderia perder essa igreja. Então, assim, foi uma reforma difícil, demorada, mas valeu muito a pena”, apontou Aparecida.

 

Saiba os detalhes da restauração da Matriz Nossa Senhora da Conceição 

Foram dez anos de muito trabalho até a tão esperada reabertura da Matriz Nossa Senhora da Conceição e, quem acompanhou todo esse processo de reforma foi o Padre José Geraldo Coura, mais conhecido como Padre Juca, administrador da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Cachoeira do Brumado. Em entrevista para a comunicação da Arquidiocese de Mariana, ele deu mais detalhes sobre a restauração da igreja. Confira na íntegra o que ele disse: 

“No ano de 2014, já estava em um processo de restauro da Matriz. Tinha sido realizado o trabalho de restauro da parte estrutural, de alguns elementos, tipo telhado, o forro, e depois no final de 2015, saiu um convênio com a Prefeitura de Mariana, através do Conselho Municipal do Patrimônio histórico via a Secretaria de Cultura, Prefeitura de Mariana, com a Arquidiocese, para o restauro do altar mor e depois dos dois altares laterais. Ao concluir essa etapa, veio uma outra etapa que foi o arco- cruzeiro e os dois púlpitos laterais da Matriz. E, na última fase, que já foi no final de 2019 e começo de 2020, que foi também um outro termo de fomento, pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e a Prefeitura de Mariana via Arquidiocese, para o restauro das galerias e também das cimalhas, do forro e também da imagem de Nossa Senhora que está no teto, como também do couro da Matriz. Só que nessa última fase, apareceu algumas dificuldades, o couro da Matriz, fizeram uma descoberta que ele estava comprometido por causa de chuva, de pingueira ao longo do tempo, e comprometeu a madeira do couro. E esse comprometimento teve que fazer um adicional para realizar a obra e para fazer todo um processo de tratamento para conservação da madeira, mas a gente conseguiu êxito também neste trabalho”, relatou Padre Juca. 

Descobertas

Durante a restauração da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, uma pintura datada do século XVIII foi  descoberta. Sob camadas de tinta, a pintura datada do século XVIII, está localizada na parte superior do retábulo de São Miguel, no altar lateral direito (de quem entra no templo) e se encontrava debaixo de duas camadas de repintura: do fim do século e de 1945. O Pe. Juca conta como foi essa conquista, confira: 

“Mas uma coisa interessante, os restauradores ao longo do processo removeram cinco camadas de tintas. Eles foram de forma muito cuidadosa, e até mesmo dizendo de forma cirúrgica, aproximando mais daquilo que era o original. Ao longo do processo muita coisa nova e bonita foi aparecendo, o que estava tampado, o que estava escondido debaixo das tintas, aquilo veio à tona e de fato a comunidade começou a perceber algo novo, até mesmo no arco cruzeiro”, explicou Padre Juca. 

Restauração da Matriz de Nossa Senhora da Conceição é realizada com o apoio dos fiéis

A restauração da Matriz de Nossa Senhora da Conceição só foi possível graças à união de recursos, advindos do Fundo Municipal do Patrimônio Cultural (FUPAC), do próprio município, além de esforços dos fiéis e moradores do distrito de Cachoeira do Brumado. Esse foi o depoimento de Padre Juca, que durante a entrevista para a comunicação da Arquidiocese de Mariana, enfatizou a gratidão pela comunidade. Confira o que ele disse: 

“A comunidade abraçou a causa também e aí começou a marcar presença, a comunidade começou a ajudar na alimentação dos restauradores e, com isso, a gente foi criando vínculos. Na etapa final, agora, a comunidade ajudou em muita coisa, por exemplo, a recompor na igreja os trincos, as fechaduras, tudo isso tinha se perdido ao longo do tempo, e a comunidade arcou com todo esse trabalho de recomposição dos trincos, fechaduras, travas na igreja. As cimalhas, do lado de fora, que não estavam dentro do projeto, a comunidade arcou com todo o processo de recomposição dos elementos que estavam estragados, por causa de cupim, então, a comunidade arcou com todo esse processo. Também alguns esteios do lado de fora, por causa da pingueira, com quase um metro e quarenta de estrago. Aí o carpinteiro, teve a delicadeza, o cuidado, de tirar a parte estragada e recompor com a nova peça. E a parte também, seja de raspagem do piso, de encerar o piso, a parte elétrica, uma revisão no som da Matriz, a recomposição das pedras. Então foi feito um trabalho geral em toda igreja e grande parte disso também veio da comunidade”, relatou Padre Juca. 

Nas redes sociais da Arquidiocese de Mariana está disponível o vídeo que mostra os detalhes dessa restauração. Confira AQUI

Foto: Mateus José de Souza

Foto: Mateus José de Souza

 

Foto: Mateus José de Souza