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São Vicente de Paulo: o homem que amou verdadeiramente aos pobres

27 de setembro de 2023 Arquidiocese

Além de ser dedicado pela Igreja no Brasil como mês da Bíblia, setembro recorda a vida e obra de um grande santo: São Vicente de Paulo. Exemplo de amor e cuidado com os mais necessitados, até hoje, passados 363 anos de sua morte, permanece inspirando milhares de pessoas a exercerem a caridade e o serviço aos pobres no Brasil e no mundo.

“São Vicente foi um homem de muita oração, mas também de muita ação”, afirma a Irmã Terezinha Madureira Gonçalves, da Companhia das Filhas da Caridade. Nascido no ano de 1581 na França, Vicente de Paulo era de uma família humilde de camponeses católicos. Desde novo, demonstrava grande inteligência e vocação religiosa, tendo sido ordenado sacerdote com apenas 19 anos, em 1600.

Entretanto, os seus primeiros anos como presbítero foram marcados por desafios e provações. Nesse período, retornando de uma viagem à Marselha, o navio em que estava foi atacado por piratas, tendo sido São Vicente de Paulo preso e escravizado por dois anos. De volta à França, o jovem padre voltou a exercer o ministério que lhe foi confiado e desenvolver ações de caridade. 

Amor aos pobres

De acordo com a Irmã Terezinha, durante o século XVII, a França passava por uma situação de grande miséria. São Vicente, ao perceber essa situação de carência, tanto de bens materiais quanto de orientação espiritual, logo procurou fazer algo a respeito. “Tanto que São Vicente é aquele homem que amou os pobres verdadeiramente, com todo seu coração. Ele entregou a sua vida para poder ajudar aos pobres”, destaca a atual secretária do Colégio Providência, em Mariana (MG).

Mais do que preocupar-se em ajudar aos pobres, São Vicente de Paulo importou-se também com a organização da caridade que era feita, especialmente, após presenciar um episódio na cidade francesa de Châtillon-le-Dombes com uma família doente e em situação de fome. À ocasião, com as suas pregações, ele mobilizou os fiéis a se unirem em solidariedade, porém, ele percebeu que quando aquela ajuda acabasse, a longo prazo, a família voltaria a mesma situação anterior.

Retornando à Paris, segundo a Irmã Terezinha, ele convidou as pessoas ricas a se juntarem, surgindo assim a primeira sociedade chamada de “Damas da Caridade”. “Nesse mesmo período que ele estava socorrendo os pobres, ele fundou, em 1625, a Congregação da Missão para pregar as missões nas roças, em meio aos pobres, pois viajando ele percebeu que a população rural estava sem nenhuma evangelização”, conta. Conhecidos também como lazaristas, por ter tido como primeira sede o convento de São Lázaro, a Congregação também tinha como objetivo atuar na formação do clero.

Entretanto, ela pontua, após um tempo, essas senhoras passaram a enviar as suas empregadas a realizarem as atividades. É nesse contexto que São Vicente de Paulo conhece Santa Luísa de Marillac, que havia lhe procurado em busca de um novo diretor espiritual, e lhe convida para ajudar na organização da caridade dos pobres. Assim, em 1633, juntamente com Santa Luísa Marillac, fundou a Companhia das Filhas da Caridade.

Seja na Companhia das Filhas da Caridade ou na Congregação da Missão, Irmã Terezinha pontua que a base da formação vicentina é o amor aos pobres. “‘Servir Jesus Cristo nos pobres’, essa era a frase que ele dizia. […] Esse espírito de fé é que vai fortalecendo e fazendo com que as coisas continuem acontecendo tantos anos depois […]. É Deus mesmo; só as coisas de Deus que permanecem”, finaliza.

São Vicente e a Arquidiocese de Mariana

“A grande ligação entre a Arquidiocese de Mariana e São Vicente de Paulo deve ser Dom Viçoso”, opina Irmã Terezinha. Isso porque o Venerável Dom Antônio Ferreira Viçoso era lazarista e se instalou, em 1820, juntamente com padre Leandro Rebello Peixoto e Castro, no Caraça (MG), a primeira missão vicentina no Brasil. Além disso, foi Dom Viçoso quem solicitou e trouxe as Filhas da Caridade da França para o Brasil, confiando a elas a missão de fundar e cuidar da primeira escola feminina em Minas Gerais: o Colégio Providência, em Mariana.

Outra ligação de São Vicente de Paulo está relacionada ao Seminário de Mariana, uma vez que, em 1853, atendendo a pedido de Dom Viçoso, padres da Congregação da Missão assumiram a formação do Clero Marianense por mais de cem anos. 

Primeira paróquia dedicada ao santo

Nesta quarta-feira, 27 de setembro, quando a Igreja celebra a memória de São Vicente de Paulo, acontece em Santa Bárbara (MG) a instalação canônica da primeira paróquia dedicada a São Vicente de Paulo na Arquidiocese de Mariana. A cerimônia, em que a reitoria será elevada à paróquia e o pároco será empossado, será presidida por Dom Airton José dos Santos, às 19h.

Texto: Thalia Gonçalves para a edição nº 319 do Jornal Pastoral

Foto: Vatican News