Neste ano em que a Arquidiocese de Mariana completa os seus 280 anos, o Seminário de Mariana também faz história, com os seus 275 anos de existência, sendo a primeira instituição de ensino fundada em Minas Gerais.
Como primórdios de sua história, a educação e a religiosidade sempre estiveram à frente, e esse legado continua perpassando o tempo, com grandiosidade e com a qualidade de ensino secular.
E para comemorar esse momento histórico, foi celebrada a Santa Missa dia 04 de novembro, as 19h, na Capela do próprio Seminário.
A celebração foi presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos, concelebrada pelo Reitor do Seminário, Pe. Sérgio José da Silva e pelos padres que fazem parte do corpo formativo da Instituição e do clero geral.

Além disso, a presença do Coral, composto pelos seminaristas, engrandeceu a cerimônia com seus cânticos litúrgicos, juntamente com a presença dos demais seminaristas, convidados e da Associação dos Ex-Alunos dos Seminários de Mariana (Aexam).
Para o presidente da Aexam, Carlos Braga, “é com muito júbilo que participamos das celebrações dos 275 anos dos Seminários de Mariana, representando todos os ex-seminaristas, que por esta casa passaram. Nossos votos de muito sucesso e que venham mais 275 anos de fé e de realizações na Arquidiocese de Mariana. Parabéns a Dom Airton, Padre Sérgio, Reitor do Seminário, pela condução dos trabalhos de formação dos sacerdotes da nossa Arquidiocese”, declarou Carlos.
Em sua homilia, Dom Airton destacou a missão fundamental na formação de futuros sacerdotes e a importância do discernimento e da clareza vocacional. Para ele, o seminário tem a missão vital de formar sacerdotes para a Igreja, uma tarefa que exige discernimento e clareza desde o início, com o apoio de toda a comunidade, ecoando o convite inclusivo de Deus para todos os seus filhos.
“O seminário tem essa missão, de formar os padres para a igreja, não para hoje, mas para os próximos 20, 30 anos […]. A preparação do seminário é uma atividade muito precisa e muito clara”.

Para exemplificar sua explanação, Dom Airton compartilhou uma experiência pessoal com todos os presentes. Ele contou que seu pai, ao saber de sua intenção de entrar no seminário, conversou com ele sobre os compromissos e o que significava ser padre, de forma mais clara do que qualquer teólogo. Nesse sentido, para ele, ser padre significa “assumir as responsabilidades que a Igreja recebeu do Senhor” através do mandato apostólico.
Porém, ele criticou a tendência moderna de “esconder” aspectos da vida sacerdotal para o final da formação, enfatizando que as coisas devem ser “claras desde o começo”.
O prelado ressaltou ainda a responsabilidade dos cristãos, pois todos os batizados são chamados a viver a vontade de Deus e de evangelizar. Além disso, os sacerdotes devem ajudar os seminaristas no discernimento de suas vocações.

No entanto, os familiares, os amigos, os agentes de pastoral e da pastoral vocacional também têm o dever de acompanhar e apoiar os jovens em seu caminho, para que deem uma resposta “forte e segura” ao chamado de Deus.
Ele concluiu sua homilia reforçando que a “festa” de Deus é para todos os seus filhos e filhas, e a formação sacerdotal é crucial para guiar as pessoas a participar dessa alegria.
“Evidentemente, todos nós batizados, somos chamados a viver esta docilidade para com a vontade de Deus, praticar, viver e anunciar esta vontade”, ressaltou o prelado.
Para o seminarista Nillo Neto, do quarto ano de Teologia, “estudar no Seminário de Mariana, com toda a sua importância ao nível de Brasil, enquanto primeira instituição de ensino de Minas Gerais é uma graça muito grande. Hoje, pertencer a este seminário é ser alguém que pode desfrutar de toda a sua história, com todo o seu processo acadêmico que visa formar bons padres para servir ao povo de Deus”.

Ao final da cerimônia, o reitor do Seminário, Padre Sérgio, discursou sobre a rica história e o impacto duradouro do Venerável Seminário de Mariana, a mais antiga instituição de ensino superior de Minas Gerais, fundado em 1750. Sua fala expressou profunda gratidão e reconhecimento a todos que contribuíram para seu legado.
Ele frisou que a Instituição é reconhecida como “berço de um clero secular” e “um farol de civilidade e de fé”, que plantou a semente para gerações de pastores e um legado inestimável para a Igreja e a sociedade.
Para ele, sua importância transcende a arquidiocese, tendo sido a primeira instituição educacional de nível superior na região, formando a elite intelectual, política e cultural, tornando-se um “capítulo de ouro” na história brasileira.

Para tanto, o Reitor faz os seus agradecimentos abrangentes ao Primeiro Bispo e aos seus sucessores, pela fundação e pelo zelo na causa da formação sacerdotal. Aos Padres Formadores e Reitores, considerados “verdadeiros pedagogos da fé”, que dedicaram a vida a orientar e amar os jovens vocacionados.
Aos professores, leigos e clérigos, pela ciência e didática que garantiram a solidez do patrimônio intelectual do clero mineiro. Aos seminaristas de todos os tempos, reconhecidos como a “razão de ser” da instituição, por aceitarem o exigente caminho do discernimento. A gratidão também se estende aos Lazaristas e as outras famílias religiosas, por sua formação rigorosa e de excelência.
Por fim, Padre Sérgio, deixa sua gratidão aos ex-alunos, os funcionários e ao povo de Deus, pelo apoio material e orante, especialmente os dizimistas, que permitem que a “Casa de São José” permanece sempre de portas abertas, além dos participantes da celebração, cuja presença é o maior testemunho do valor perene da Instituição.
O seu agradecimento especial foi direcionado ao Arcebispo, Dom Airton, por continuar a nobre missão de guardião da formação, zelando pela qualidade e fidelidade dos estudos, da vida espiritual e comunitária.

Para encerrar, ele resumiu que “por mais de dois séculos, o Seminário tem sido um manancial inesgotável para a formação de inúmeros bispos, sacerdotes e missionários que irrigaram, não só as vastas terras de Minas, mas, também, outras partes do Brasil e do mundo. Que a Virgem Senhora da Boa Morte, a quem a casa é dedicada em sua capela original, interceda por novas e santas vocações, e que venham os próximos e gloriosos anos de sementeira e colheita para a honra de Deus e salvação das almas”, resumiu o Reitor.
À frente do Seminário como Reitor desde 12 de janeiro de 2023, Padre Sérgio salientou que “meu sentimento hoje é de alegria, mas ao mesmo tempo de prece e de agradecer a Deus por toda a história que vamos construindo. Que Deus continue nos inspirando com sabedoria para que possamos formar os jovens, os chamados a viver o ministério presbiteral, respondendo com generosidade e levando essa história no serviço generoso a todo o nosso povo”, salientou Pe. Sérgio.

Ao final da Santa Missa, o quadro com a Benção Apostólica do Santo Padre, Papa Leão XIV, foi motivo de aplausos e de reconhecimento à Instituição por tantos trabalhos dedicados a formação de novos sacerdotes, além do pedido de intercessão à Nossa Senhora.
“Sua Santidade Leão XIV concede de coração a desejada Benção Apostólica ao Pe. Sérgio José da Silva aos Formadores e Seminaristas do Seminário S. José, Arquidiocese de Mariana por ocasião do seu 275º Aniversário de Fundação do Seminário e invoca, por intercessão de Maria Santíssima, a abundância das graças Divinas”.

No dia 06 de dezembro de 1745, a Diocese de Mariana fora criada e nomeado o seu primeiro Bispo, Dom Frei Manoel da Cruz, e a história de criação do Seminário de Mariana inicia-se após a sua chegada, sendo fundado no dia 20 de dezembro de 1750.
Em sua fase inicial, a direção do Seminário esteve sob a responsabilidade da Companhia de Jesus, os Jesuítas, até o ano de 1758. A partir desse ano, começou o primeiro período de gestão do clero local, conhecido como a “primeira fase diocesana”, por um período que se estendeu de 1758 até 1853.
Em 1853, o Seminário de Mariana começou a viver seu período áureo a partir do episcopado de Dom Antônio Ferreira Viçoso, um bispo lazarista, que confiou a direção do Seminário aos seus confrades da Congregação da Missão, os Lazaristas.
Os Lazaristas dedicaram-se à formação no Seminário por um longo período de 113 anos, de 1853 a 1966. Durante essa gestão, em 1934, o seminário foi desmembrado, dando origem ao Seminário São José. Sua nova sede foi inaugurada no dia 15 de agosto desse mesmo ano focado em abrigar, com melhores condições, os alunos de Filosofia e de Teologia.
Com a saída dos Padres Lazaristas, em 1967, a direção do Seminário de Mariana retornou para clero secular, por iniciativa e apoio de Dom Oscar de Oliveira. Desde então, o Seminário tem continuado a atender aos vocacionados da Arquidiocese e de outras dioceses que necessitam de formação, tornando-se um dos mais antigos e prestigiados centros de formação do Brasil.

São Carlos Barromeu
Durante os séculos, o aniversário do Seminário de Mariana era comemorado no dia 20 de dezembro, data de sua fundação, com a Santa Missa, um louvor eterno para agradecer e bendizer a Deus por seus frutos terrenos.
Para atender as necessidades pastorais, durante o pastoreiro de Dom Geraldo Lyrio Rocha, entre os anos de 2007 e 2018, essa data foi antecipada para o dia 04 de novembro.
O objetivo dessa mudança é fazer a comemoração juntamente com os seminaristas, pois no dia 20 dezembro, eles já estão de férias com suas famílias, impossibilitando a realização de uma cerimônia em unidade.
E o dia 04 de novembro foi escolhido por causa de São Carlos Barromeu, conhecido como reorganizador da Igreja, destacando-se por sua dedicação pastoral, ele fundou seminários para auxiliar na formação dos sacerdotes, além de mandar construir igrejas, colégios e hospitais.

A Associação dos Ex-Alunos dos Seminários de Mariana (Aexam) foi fundada dia 14 de agosto de 1984, e é uma sociedade civil, sem vínculos político-partidária e congrega todos aqueles que lá estudaram e/ou foram professores, ordenados ou não.
No primeiro semestre de 1984, o reitor do Seminário Maior, o então cônego Nelson Simões Quinteiro, recebeu a visita dos ex- alunos, Aloísio Pereira Fialho e Vicente Gomes Pinto Coelho, ambos de Rio Casca (MG). E das conversas daquele encontro, saiu-lhes o compromisso de reunirem numa associação quem tivesse estudado nos Seminários de Mariana.
Então, no dia 14 de agosto de 1984, em cerimônia solene das comemorações pelos 50 anos da inauguração do Seminário Maior São José, a Associação dos ex-alunos foi fundada e a sua primeira diretoria teve os dois já mencionados. Estabeleceu-se a sua sede em Mariana (MG), no mesmo endereço do Seminário, atualmente denominado Casa da Teologia.

Participação dos aexanos na Santa Missa em comemoração aos 275 anos do Seminário.
Logo no início do mês de setembro de 1984, iniciou-se um longo e paciente trabalho, procurando-se ex-alunos e fazendo-lhes a convocação. Em julho de 1985 realizou-se o 1º Encontro dos associados, com a presença de Dom Oscar de Oliveira.
Houve um intervalo de oito anos pela impossibilidade de realizar-se o Encontro dos Ex-Alunos no prédio do Seminário. Somente em 1993, ele foi retomado, dando início a uma sequência anual, e nos dias 26 e 27 de julho de 2025 aconteceu o 32º Encontro Anual.
Em 1992, Dom Luciano Mendes de Almeida cunhou a sigla “Aexam” para identificar a Associação dos Ex-Alunos do Seminário de Mariana e em 2006 criou-se o neologismo “aexano” para identificar o integrante da Aexam, bem como “aexana” para a esposa.
Com 41 anos comemorados e 32 Encontros Anuais em 2025, a Aexam está consolidada pelo tempo, pelas realizações e, principalmente, pelo que representa afetiva e emocionalmente a cada um de seus associados, quando traz à tona amizades antigas que se retomam e mantém vivos os aprendizados e as experiências de cada um, que, sem dúvida, foram decisivos no encaminhamento de suas histórias pessoais.
Anualmente ela reúne os seus associados para recordarem, agradecerem e reverenciarem o Seminário de Mariana, esta instituição de ensino que lhes foi muito importante para a formação dos seus valores religiosos, intelectuais, éticos e sociais.
São, pois, dezenas de milhares de ex-alunos deste Seminário nesses 275 anos de atividade formadora, incluindo-se, claro, também os já falecidos.

Tanto que, a Aexam tem a sua Galeria dos Ilustres, justificada através do comentário do professor Roque José de Oliveira Camêllo, também ex-aluno do Seminário de Mariana, no seu livro “Mariana: assim nasceram as Minas Gerais – uma visão panorâmica da história”:
“Os Seminários de Mariana, denominados Menor e Maior, foram pioneiros na formação educacional masculina de Minas, sendo ainda as primeiras escolas superiores no Estado. Por eles passaram luminares de Igreja como sacerdotes, bispos, cardeais e milhares de cidadãos, que ajudaram a construir a história de Minas e do Brasil, como honrados homens públicos, professores, cientistas, advogados, magistrados, escritores, médicos, engenheiros, profissionais das mais diversas áreas do conhecimento e de profunda dedicação ao bem comum da sociedade.”
Nós, os aexanos, manifestamos grande alegria e sadio orgulho de participar da comemoração dos 275 anos da fundação do nosso Seminário de Mariana, porque, sem dúvida, dela somos igualmente agentes.
Então, parabéns ao Seminário de Mariana e parabéns a todos nós, seus ex-alunos e alunos atuais e, também, ao senhor Arcebispo, Dom Airton, e o seu grupo de formadores, que o dirigem com brilho e dedicação.
Texto da Aexam: Helvécio Antônio da Trindade, ex-aluno do Seminário.
Texto e fotos: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Leia mais em:
Seminário de Mariana: de uma direção diocesana ao período Lazarista/Jornal Pastoral – junho/julho de 2020
Seminário de Mariana completa 275 anos de história
Projeto Memória: Casa de vida, sublime dom!
Veja, abaixo, as fotos da Santa Missa.