Na noite de Quinta-Feira Santa, dia 02 de abril de 2026, fiéis e devotos relembraram a triste prisão de Jesus, através da Procissão Penitencial das Endoenças ou Fogaréus saindo da Catedral da Sé por volta de 22h30.
Não se sabe, exatamente, há quanto tempo ela ficou extinta na cidade, porém, em 2025, ela voltou a ocupar os espaços históricos, e, este ano, em 2026, e com toques fúnebres, tochas acesas, a Procissão saiu em direção à Praça Minas Gerais, onde houve a meditação alusiva à prisão de Jesus, proferido pelo professor do Seminário São José, Mons. Celso Murilo Reis.
Durante sua explanação, Mons. Celso explicou que o significado de “Endoenças”, que, em desuso, deriva-se do latim “dies indulgentiae“, significando dias de perdão, de misericórdia e de indulgência.

Monsenhor ressaltou, ainda, que a prisão de Jesus, segundo o Evangelista São João, é uma visão de glória, o qual interpreta os últimos momentos de Jesus, “no jardim” como uma revelação da glória de Deus, que se manifesta como amor que salva, bondade e onipotência.
A narrativa da Paixão de Jesus é um triunfo do amor que se entrega sem reservas para a salvação.
“O triunfo do amor que se doa, que se entrega sem reservas, pela salvação da humanidade. Endoenças, dias de indulgência, dias de perdão, tempo de misericórdia”, explanou Monsenhor.

O sacerdote elencou três elementos significativos do episódio da prisão de Cristo.
O primeiro é o jardim, onde acontece a prisão de Jesus, remetendo ao Jardim do Éden e ao pecado original de Adão e Eva. Jesus entra no jardim para reconciliar a humanidade com seu Criador, invertendo a rebelião original. São João destaca que o início da prisão e a conclusão – sepultamento e ressurreição – da Paixão ocorrem num jardim, simbolizando a restauração dos laços de comunhão perdidos.
A segunda é a postura de Jesus, protagonista soberano, o qual não se apresenta como oprimido, mas como um protagonista consciente, o Senhor absoluto de todos os tempos. Ele toma a iniciativa, perguntando “A quem procurais?”.
Sua resposta “Sou eu” é mais que uma identificação; é uma expressão divina, o nome de Deus revelado a Moisés na sarça ardente, “Eu sou quem eu sou”.
Essa declaração tem poder, pois os soldados recuam e caem por terra, demonstrando a grandeza e o poder de Deus diante da fragilidade humana. Jesus permanece de pé, revelando-se como o justo perseguido, o servo sofredor que sairá vitorioso.
Porém, Jesus se entrega livremente, não é privado de sua liberdade. Ele é o Senhor da história da vida, a presença viva de Deus.
A terceira são as reações dos discípulos com suas escolhas de fidelidade e de erros. Judas, o traidor, que representa a preferência pelas trevas sobre a luz. Ele se une às forças inimigas, os romanos, os sacerdotes e os fariseus, que buscavam eliminar Jesus.

Pedro e a violência com a espada, uma reação impulsiva de Simão Pedro, que saca a espada e corta a orelha do servo do sumo sacerdote, revela uma incompreensão do plano de Deus.
E Jesus adverte Pedro a guardar a espada, ensinando a não usar as mesmas armas do adversário e a vencer o mal com o bem. Ele está disponível para cumprir o projeto do Pai até o fim.
Segundo Mons. Celso, a proteção de Jesus aos discípulos, o qual dá ordens mesmo como prisioneiro, pedindo: “Se é a mim que procurais, deixai que estes se retirem.”
Isso demonstra sua ternura e cuidado, garantindo a integridade de seus seguidores, cumprindo sua palavra de não perder nenhum dos que o Pai lhe deu. Sua entrega se dá para proteger a vida de seus discípulos.
“Jesus é o Mestre que dá a vida pelo discípulo, superando todas as convenções, expectativas humanas. Diante da intervenção violenta de Pedro, Jesus se mostra totalmente disponível a cumprir até o fim o projeto do Pai, sendo fiel a Ele em todas as circunstâncias”, ressaltou Monsenhor Celso.

Caio José, da Catedral da Sé, frisou que sempre participa das cerimônias e entende a importância de cada uma delas.
“Eu fico muito feliz em poder participar e eu entendo a importância dessa cerimônia, pois essa procissão é bem dolorosa, triste, desde a meditação que tem ali na Praça Minas Gerais e todo o percurso que representa essa dor que Jesus passou, desde quando sai da Igreja da Sé até a sua volta”, frisou Caio.
Para concluir sua reflexão, Monsenhor Celso convida os fiéis a refletir sobre a necessidade de tomar uma posição corajosa diante de Cristo e sua missão.
“As atitudes de Judas com sua traição e de Pedro com uso da violência servem de alerta para não nos desviarmos do caminho de Jesus, que se entrega, voluntariamente, por amor, manifestando a glória de Deus e a possibilidade de reconciliação para toda a humanidade. Esse também é um tempo de nos reconciliarmos com o Senhor e de amadurecer na vivência do discipulado” finalizou.
Texto: Dacom/Arquidiocese de Mariana
Fotos: Sarah Corrêa e Pedro Victor
Veja, abaixo, mais fotos da Procissão Penitencial das Endoenças ou Fogaréus.
Clique no link e vaja a Procissão do Fogaréus ou Endoenças e à meditação alusiva à prisão do Senhor, por Monsenhor Celso Murilo de Souza Reis.