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Arquidiocese de Mariana celebra dois anos da páscoa de Dom Geraldo Lyrio

28 de julho de 2025 Arquidiocese

No último sábado, 26 de julho, a Arquidiocese de Mariana celebrou a memória de Dom Geraldo Lyrio Rocha na data marcada pelos dois anos de seu falecimento. Com a presença de dezenas de fiéis, a Santa Missa foi celebrada na Catedral da Sé e presidida pelo Arcebispo Metropolitano de Mariana, Dom Airton José dos Santos.

A cerimônia foi concelebrada pelo Reitor da Catedral, Padre Geraldo Dias Buziani, e pelo Vigário da Paróquia Nossa Senhora da Assunção, em Mariana (MG), Monsenhor Celso Sousa Murilo Reis.

Em sua reflexão, Dom Airton afirmou que fazemos memória a Dom Geraldo “com devoção, piedade, sentimento de fé e caridade cristã, rezando por ele que tanto bem fez pela Igreja de Mariana”.

O Arcebispo pediu que confiemos em Deus e naqueles que, após fazerem sua páscoa definitiva, intercederão por nós diante do Pai, como Dom Geraldo Lyrio. O prelado incentivou os presentes a rezarem pedindo a intercessão dos candidatos a santo desta Igreja Particular, como a Beata Isabel Cristina, o Servo de Deus Dom Luciano e o Venerável Dom Viçoso.

Logo após o momento da comunhão, Monsenhor Celso leu a mensagem enviada pelos irmãos de Dom Geraldo, que não puderam comparecer na solenidade. Nas palavras dirigidas aos diocesanos, José Carlos, Rosa Maria, Ronaldo e Luciano disseram que durante esses dois anos foram confortados por inúmeros depoimentos que relembraram bons momentos do eclesiástico desde sua ordenação presbiteral até os últimos momentos de sua vida.

Eles lamentaram que Dom Geraldo faleceu antes de participar do Sínodo dos Bispos e poder representar a Igreja do Brasil como um dos cinco Bispos escolhidos, bem como ver o novo Missal, no qual colaborou sendo um dos últimos revisores do texto.

“Mas esses sentimentos logo foram deixados de lado ao percebermos que o que deveríamos fazer é agradecer a Deus pela sua vida e pelo seu especial jeito de ser, ao conseguir transmitir a todos com os quais conviveu momentos de paz, de alegria, de solidariedade, de respeito ao próximo, de ótimas reflexões sobre os mais variados temas, tudo isso temperado com o seu elevado senso de humor e pelo pensamento positivo de que ‘no fim, dá tudo certo”, qualquer que fosse a gravidade da situação que se lhe apresentasse”, escreveram.

Leia a mensagem na íntegra clicando aqui.

Ao final da solenidade, os celebrantes juntamente com alguns fiéis se dirigiram até a cripta da Catedral, onde Dom Geraldo, os Bispos e Arcebispos de Mariana estão sepultados. Lá todos se uniram em oração diante da lápide do quinto Arcebispo. Durante as preces, Dom Airton depositou flores em nome da Arquidiocese e da família ao seu antecessor.

Em entrevista para o Departamento Arquidiocesano de Comunicação (Dacom), Dom Airton descreveu Dom Geraldo Lyrio como um homem generoso, que serviu à Igreja com um coração grande e ajudou a Arquidiocese de Mariana a trilhar um caminho importante.

“Dom Geraldo quando foi nomeado Arcebispo de Mariana, veio com o coração muito alegre, com muita alegria no coração e ajudou aqui a Arquidiocese de Mariana a fazer o seu caminho, a continuar a fazer o seu caminho.

E eu me valho muito daquilo que ele já fez aqui. O que ele já fez, o que ele já orientou, o que ele já indicou para os padres, para o Seminário, para as pastorais, para as paróquias”, declarou.

Início da vocação

No livro “Dom Geraldo, presente de Deus”, organizado pela sua irmã Rosa Maria Lyrio Rocha e Walace Bonicenha, é relembrado os primeiros sinais de sua vocação sacerdotal enquanto levava uma infância semelhante à de qualquer outra criança. Participava das brincadeiras, das travessuras e das festas, especialmente no carnaval, quando adorava se fantasiar.

No entanto, chamava a atenção pela seriedade com que “brincava de igreja”, organizando com empenho celebrações como missas, procissões e novenas dentro de casa. Nessas ocasiões, exigia respeito absoluto dos participantes, afastando quem não se comportasse adequadamente. Um episódio marcante foi quando, aos quatro anos, liderou uma procissão com primos, irmãos e vizinhos pelas ruas em oração por uma tia doente, surpreendendo os adultos.

Dom Geraldo e sua prima Rosina fantasiados no carnaval de 1948. Foto: Reprodução livro Dom Geraldo, Presente de Deus.

A família apoiava com entusiasmo os atos religiosos do pequeno Geraldo. Os pais e tios colaboravam com roupas litúrgicas improvisadas, objetos simbólicos e até um pequeno andor.

Os irmãos tinham funções definidas: José Carlos era coroinha, Rosa a cantora, Ronaldo se encarregava de ser engenheiro das obras, e Luciano, ainda muito pequeno, apenas assistia. Um sino improvisado com trilhos pendurados chegou a ser confundido com o da Igreja Matriz, o que à época levou o pároco a pedir sua retirada.

Dom Geraldo foi batizado no dia 27 de setembro de 1942, em Fundão (ES). Recebeu a Primeira Comunhão em 1951 e a Crisma em 1953. Entrou na Cruzada Eucarística Infantil e tornou-se coroinha, aprendendo com rapidez a servir à missa em latim. Desde cedo, expressava com firmeza seu desejo de ser padre, chegando a pedir à mãe, aos cinco anos, que o levasse a Vitória para conversar pessoalmente com o Bispo.

À esquerda, Dom Geraldo; ao centro, sua mãe Leovegilda Lyrio Rocha; e à direita, seu irmão Ronaldo. Foto: Reprodução livro Dom Geraldo, Presente de Deus.

Texto e fotos: Paulo César Gouvêa/Arquidiocese de Mariana

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