domingo

, 19 de maio de 2024

Pastoral Carcerária Arquidiocesana realiza última reunião de 2022

20 de dezembro de 2022 Arquidiocese

42 agentes da participaram da última reunião arquidiocesana da Pastoral Carcerária de 2022. O encontro foi realizado no Centro de Pastoral, em Mariana (MG), no último sábado, 17 de dezembro.

Na oportunidade, a Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral, Magda de Fátima e Oliveira, recordou os objetivos e a missão da Pastoral Carcerária, destacou a importância da função dos agentes da Pastoral e trouxe para o diálogo o tema “Quem é o encarcerado? E quais são os desafios da realidade carcerária no Brasil”.

Descrevendo o contexto no território que abrange a Arquidiocese de Mariana, Magda contou que há dez presídios, um hospital de custódia de tratamento psiquiátrico e quatro Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APACs). “A Pastoral está presente em todos eles, no entanto, devido à pandemia da Covid-19, contamos com poucos agentes, mas esses poucos são fiéis à missão. Vale destacar que já acontece formação para novos agentes em quase todas as regiões pastorais da Arquidiocese”, disse.

A Coordenadora Arquidiocesana da Pastoral Carcerária ainda ponderou os desafios vividos nos últimos anos devido às infecções causadas pelo novo coronavírus e as perspectivas durante a retomada das atividades. “Com a pandemia, o trabalho presencial foi interrompido, retornando somente no segundo semestre de 2021. Ainda, há muitas dificuldades nesse retorno, alguns presídios estão com problemas no quantitativo de agentes penitenciários, dificultando, assim, nossa missão. Nosso sonho é um mundo sem prisões, mas haja outras formas de reeducação, que tenhamos uma sociedade que seja justa, fraterna e solidária, onde todos nós, sem exceção, sejamos o centro de todas as ações”, frisou Magda.

Segundo o Assessor Arquidiocesano da Pastoral Carcerária, Padre Marcelo Moreira Santiago, além do momento formativo, a reunião também apontou os encaminhamentos para o próximo ano. Além disso, foram definidas as seguintes prioridades da pastoral para 2023: realizar encontros de formação para agentes nas regiões pastorais; trabalhar para aumentar o número de agentes na pastoral; realizar reuniões, a cada semestre, com os padres que prestam assistência eclesiástica nos presídios; produzir material formativo arquidiocesano; trabalhar para que em todas as comarcas se tenha um conselho comunitário para as questões carcerárias.

Ainda, à ocasião, os agentes prestaram homenagens à Magda que foi eleita, em Assembleia Nacional realizada no início de dezembro, para compor a Coordenação Nacional da Pastoral Carcerária, assumindo a função de Coordenadora Nacional Para as Questões da Mulher Encarcerada.

Saiba mais sobre a Pastoral Carcerária

A Pastoral Carcerária é uma ação pastoral da Igreja Católica, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que busca a evangelização das pessoas privadas de liberdade, bem como zelar pelos direitos humanos e pela dignidade humana no sistema prisional.

De acordo com Magda, o objetivo da pastoral é, inspirado no Evangelho e no Ensino Social da Igreja, “promover de modo simples e corajoso, o exercício da dignidade, através da palavra e da ação, comprometidos com a defesa dos direitos individuais e sociais da pessoa presa. A missão é evangelizar em parceria com os próprios presos e presas, manter o diálogo com os vários segmentos da sociedade e defender a vida, superar a justiça retributiva por meio da justiça restaurativa”, apontou.

Neste ano, a Pastoral Carcerária no Brasil celebrou 50 anos. Conforme Padre Marcelo, a data jubilar é também um chamado a olhar os desafios, que são enormes, da pastoral no país e também na Arquidiocese de Mariana.

“Enfrentamos uma política hostil de encarceramento, caos no sistema prisional que incha a cada dia, diminuindo as assistências públicas. Tivemos, mesmo nesse período menos restritivo da pandemia, dificuldades para entrar nos presídios e cumprir nossa missão cristã e humana. Perdemos agentes, outros envelheceram e alguns ficaram doentes durante a pandemia. O olhar, contudo, é de esperança diante da missão a nós confiada, à luz das obras de misericórdia: ‘estive preso e me visitastes’. A pastoral quer ser essa presença de Cristo no mundo dos cárceres, evangelizando, através da escuta, da implementação da justiça restaurativa e trabalhando a utopia de um ‘mundo sem cárceres’”, destacou Padre Marcelo.

Fotos: Darcy Ribeiro

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