O Colégio Imaculada Conceição, em Barbacena, acolheu nos dias 22 e 23 de agosto quase duzentas pessoas, entre participantes e equipe de apoio, para o 1º Fórum pelas Famílias, organizado pela Pastoral Familiar da Forania de Barbacena – Arquidiocese de Mariana. Acolhida, oração, refeições, palestras, mesa-redonda, oficinas e testemunho marcaram o coração de todos neste fim de semana agraciado por Deus.
Neste sábado, sob o tema “Família, torna-te aquilo que és”, o Cônego Luiz Carlos, pároco da Paróquia São Sebastião de Barbacena, abriu oficialmente o Fórum com sua bênção e palavras inspiradoras: A família é o sonho de Deus para toda a humanidade, por isso precisamos cuidar das famílias em todas as circunstâncias.
Na sequência, o Padre José Geraldo de Oliveira, Coordenador Arquidiocesano de Pastoral, abrilhantou o encontro com sua sabedoria e ministrou a palestra “A importância da Pastoral Familiar e da Igreja Doméstica”. Em sua fala, destacou que a família é o canteiro onde se cultiva a semente do amor, a primeira comunidade de amor, o lugar privilegiado de encontro com Deus e a primeira escola da fé. Reforçou ainda que a família é protagonista da ação pastoral.
Durante a mesa-redonda, os convidados Esther de Matos Ireno Marques, Maria de Lourdes Oliveira, Rogério Fernandes Ribeiro e Isabela Campos Dias abordaram temas fundamentais para a evangelização e para ajudar as famílias e a Igreja a vencerem os mais diversos desafios.
Esther Irene destacou a importância da afetividade no lar: Os pais devem questionar como estão vivendo a afetividade dentro de casa e como os filhos estão vendo o convívio dos pais. As orientações e o exemplo dados pelos pais ajudam os filhos a desenvolver responsabilidade e autonomia. Conselhos e atitudes coerentes contribuem para a socialização e para a formação de uma personalidade madura, integrada tanto interiormente quanto na convivência com os outros. A educação afetiva acontece no cotidiano.
Maria de Lourdes trouxe o tema da violência contra a mulher, apresentando os vários tipos de violência, os canais de denúncia e fazendo um importante alerta: nem toda violência deixa marcas no corpo. Ressaltou que é nosso papel observar atentamente quem está ao nosso redor, se há vítimas próximas a nós, no banco da igreja e em nossas pastorais, e fazer a nossa parte.

Rogério Fernandes também foi um dos palestrantes. Ele abordou as questões psicológicas nos relacionamentos, a ansiedade e as tensões, com a reflexão: Enquanto nosso inconsciente estiver inconsciente, continuaremos achando que tudo que acontece é destino.
Isabela Dias falou sobre o Transtorno do Espectro Autista e como podemos acolher uma pessoa autista com pequenas atitudes que transformam completamente uma experiência. Ela orientou: falar de maneira simples, clara e respeitosa; dar tempo para que a pessoa responda; evitar fazer várias perguntas ao mesmo tempo; não exigir contato visual; não tocar ou abraçar sem saber se a pessoa aceita; permitir o uso de protetores auriculares quando necessário; respeitar formas alternativas de comunicação; aceitar pequenos movimentos de autorregulação; informar antecipadamente sobre mudanças na programação; oferecer um espaço mais tranquilo quando possível; e perguntar à própria pessoa ou à família como ajudá-la.
Uma pergunta simples pode fazer grande diferença: Existe alguma coisa que podemos fazer para facilitar a sua participação?
Segundo Isabela, muitas famílias de pessoas autistas chegam aos espaços sociais já esperando olhares, comentários e julgamentos. Talvez tenham deixado de frequentar alguns lugares por sentirem que seu filho incomodava. A comunidade cristã pode oferecer uma experiência diferente. Em vez de perguntar por que essa criança não fica quieta, podemos perguntar como podemos ajudá-la a permanecer conosco. Em vez de olhar para a família durante uma crise, alguém pode aproximar-se discretamente e oferecer ajuda.
Os integrantes da mesa-redonda ainda responderam a diversas perguntas dos participantes, em um momento muito enriquecedor.
Após o almoço, os participantes se dividiram nas oficinas de Método de Ovulação Billings, Liturgia, Parceria Catequese e Família, Nulidade Matrimonial, Dízimo, Namoro Santo, Encontro de Casais com Cristo, Acolhida das Famílias e Preparação ao Matrimônio. Na plenária das oficinas, foi unânime a necessidade de formação para todas as pastorais, movimentos e dimensões da Igreja.

Para encerrar o dia, Pâmela Schitini testemunhou o agir de Deus em sua vida e como Ele trabalha para transformar os corações que se permitem encontrá-lo e render-se à sua santa vontade.
Segundo dia do Fórum
O segundo dia do Fórum teve início na melhor companhia: Jesus Eucarístico. O Diácono Evanildo conduziu a todos a refletir sobre o amor, o cuidado e a graça de caminhar em família na presença de Jesus, pois Ele é o Senhor da vida.
O Momento Mariano foi emocionante e cheio de delicadeza, assim como Nossa Senhora. A Catequese da Paróquia São Sebastião apresentou uma linda coroação que emocionou a todos.

Em seguida, Leci Conceição, em sua pregação, explicou qual a missão do cristão leigo e leiga: “Somos seguidores de Jesus Cristo, somos cristãos, chamados a servir nas dimensões, traduzindo o que é realizar-se como pessoa cristã. Seguimos Jesus Cristo como membro ativo da comunidade e da sociedade . A missão do leigo e da leiga é ser sal da terra e luz do mundo, na Igreja e na sociedade: viver a sinodalidade, discernir juntos, participar, assumir responsabilidade, colocando os dons a serviço do Reino.” , destacou.
Tarcísio Santos testemunhou as dificuldades de sua infância e como venceu dia a dia guiado por Deus e Nossa Senhora. Mostrou como foi importante ser de Deus e firmar sua vida na presença de Deus. Em momentos difíceis, vieram os questionamentos e ele sempre rezava, pedia a Deus e a Nossa Senhora a direção, lembrava-se de sua mãe também e pedia a ela a intercessão. E ainda alegrou o pessoal com seu personagem humorístico Zé Rural, com a “contação de causos.”
O encerramento se deu com a Santa Missa na Capela do Colégio Imaculada Conceição, presidida pelo Padre Adilson Luiz Umbelino Couto, pároco da Paróquia Nossa Senhora da Piedade, em Barbacena.
Ricardo e Vânia, coordenadores da Pastoral Familiar da Forania de Barbacena, na mensagem de despedida anunciaram que o Fórum não terminou ali na Santa Missa, e sim continua a partir de cada um dos participantes em suas comunidades, paróquias, famílias e sociedade, pois serão multiplicadores de tudo que vivenciaram nesses dois dias do Fórum pelas Famílias.
Texto e fotos: Pascom / Forania de Barbacena