domingo

, 14 de agosto de 2022

Último dia do Simpósio Filosófico-Teológico foi marcado por apresentações de trabalhos

06 de junho de 2022 Arquidiocese

Aconteceu em 27 de maio, o último dia do Simpósio Filosófico-Teológico que, neste ano, trouxe um olhar teológico, histórico e artístico para a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção. Sediado na Faculdade Dom Luciano Mendes (FDLM), à ocasião, estiveram presentes pesquisadores envolvidos com a história da arte brasileira.

A programação teve início com a apresentação do livro “Seminário de Mariana: memória dos 270 anos”, realizada pelo Diretor Acadêmico da FDLM, Padre Edvaldo Antônio de Melo. A obra é fruto do “Projeto Memória”, desenvolvido pelo Instituto Teológico São José (ITSJ) em parceria com a FDLM, em comemoração pelo aniversário de 270 anos do Seminário São José, celebrado em 2020.

Apresentações

O primeiro trabalho apresentado foi da Mestra e Arquiteta Ingrid Aparecida Rogério Ribeiro (UFMG) que discorreu sobre o tema “Uma cronologia comentada da Catedral de Nossa Senhora da Assunção: da modesta capelinha à Catedral da Sé”. Em sua fala, ela destacou, através das documentações, que a Catedral, enquanto Matriz, foi passando por problemas de edificações, demandando vários reparos ao longo da história.

Neste sentido há uma dinamicidade no movimento de edificação que “sai de capela primitiva para Matriz até chegar na Catedral”. Nas palavras de Ingrid, “a Catedral é sóbria e simples, mas que remete uma tipologia típica de uma Matriz. Ainda nessa simplicidade e rigidez há uma manifestação de uma certa elegância”, disse. Segundo ela, esse movimento que está presente na transição de capela para Catedral é a expressão clara da igreja como pedra viva e templo vivo.

Em seguida, a Mestra Valéria Sávia Tomé França (UFMG) proferiu a palestra “O conjunto pictórico da Catedral Basílica Nossa Senhora da Assunção: pinturas de forro, retábulos e de elementos artísticos integrados”. De acordo com a pesquisadora, no século XVIII quem se encarregava do espaço religioso eram os leigos por meio de irmandades, diferentemente do que acontecia no litoral.

Por um decreto régio, as ordens religiosas não puderam se estabelecer em Minas Gerais, favorecendo o protagonismo leigo nos espaços religiosos. Dessa forma, as irmandades se tornam proprietárias das sepultaras e das atividades religiosas de uma forma geral. Ainda, para fazer parte da vida social naquela época era necessário se integrar em algum desses grupos.

Neste sentido, a elevação de Matriz à Catedral promoveu um aquecimento no mercado artístico, uma vez que as irmandades se movimentam para construir suas próprias igrejas e que os vários artistas da região foram intensivamente procurados para compor os conjuntos artísticos da Catedral e das igrejas que foram sendo erigidas.

O pintor e dourador Manoel José Rebelo e Sousa, executa as pinturas do forro da Catedral, pinturas essas restauradas como explicou o coordenador da equipe de Restauração, Arthur Francisco da Silva Coelho. Assim como esse artista, a Catedral passou pela contribuição de vários artistas da região que compuseram um conjunto artístico ímpar.

Por sua vez, a Professora Dra. Adalgisa Arantes Campos (UFMG) expôs o fruto de sua pesquisa a respeito das Irmandades, devoções e festejos que ocorriam na Catedral, ressaltando as particularidades da vida religiosa da Sé com a instituição das suas irmandades e os acontecimentos cômicos contidos nos registros do Arquivo Eclesiástico.

Palestra

Pela tarde, a programação contou com a palestra sobre “Gestão integrada dos bens culturais da Igreja”, proferida pelo sacerdote do Clero Marianense e Assessor do Setor Cultura e do Setor Bens Culturais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Padre Luciano da Silva Roberto

Em sua conferência, Padre Luciano abordou sobre o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado pela CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para realizar ações conjuntas de preservação e valorização do Patrimônio Cultural sob gestão da Igreja Católica no Brasil. Cerca de um terço (32%) do total dos bens tombados pelo Iphan serão abrangidos pela parceria.

Comunicações

Por fim, os bacharéis em Filosofia e atuais estudantes de Teologia, José Mário Santana Barbosa e Carlos Geovane Nunes Magri, apresentaram seus trabalhos sobre, respectivamente, o poema “A Catedral”, de Alphonsus de Guimaraens, e o Cabido marianense.

Para o Pároco da Paróquia e Catedral de Nossa Senhora da Assunção, Cônego Nedson Pereira de Assis, “há uma ligação afetiva muito forte entre a Catedral e o povo marianense” e poder realizar o Simpósio sobre a Catedral é um grande marco na história da igreja marianense. É fruto de um “desejo antigo de reconhecermos o valor histórico, artístico e cultural e, sobretudo religioso, da Catedral de Mariana para toda Igreja no Brasil”, disse.

Texto: Equipe de Comunicação do Simpósio

Fotos: Caio Amora

Veja como foram os outros dias do evento em:

Primeiro dia do Simpósio Filosófico-Teológico refletiu sobre os aspectos teológicos da Catedral;

Processo de restauro da Catedral de Mariana é apresentado durante o segundo dia do Simpósio Filosófico-Teológico

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