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Segunda-feira Santa é marcada pela procissão do Senhor dos Passos, em Mariana

04 de abril de 2023 Arquidiocese

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação”. A canção Salmo 26 ecoou pelas paredes históricas da Catedral Basílica de Nossa Senhora da Assunção, em Mariana (MG), ao ser cantada pelos fiéis que lotaram a Igreja durante a celebração da Segunda-feira Santa, na noite do dia 03 de abril.

O roxo que se destacava nos enfeites da Catedral, bem como nas roupas eclesiásticas vestidas pelo Arcebispo de Mariana, Dom Airton José dos Santos, que presidiu a celebração, e pelos presbíteros: Padre Geraldo Buziani, Padre Marcelo Moreira Santiago, Padre Johny Sales Figueiredo Dias e Padre Lucas Muniz Alberto, representava o luto da Igreja pelo sofrimento de Cristo.

É importante destacar que a Igreja Católica, na Segunda-feira Santa, relembra o trajeto doloroso percorrido por Jesus Cristo até chegar ao Calvário. Por essa razão, foi realizada, no terceiro dia da Semana Santa, a reflexão diante da imagem do Senhor dos Passos, com veneração da Imagem.

À ocasião, o Pároco e Reitor da Catedral, Padre Geraldo Buziani, proclamou o Evangelho de Jesus Cristo (Jo 12,1-11). Em seguida, durante sua homilia, Dom Airton falou sobre o amor ao próximo e enfatizou que “amar ao próximo é um gesto concreto”.

“Não existe contradição entre ser religioso e ser fiel a Deus, fiel aos ensinamentos das Sagradas Escrituras, aos ensinamentos da Igreja e amor aos irmãos, as duas coisas se tocam porque Jesus deixou isso para nós no mandamento, no novo, que vamos celebrar na Quinta-feira Santa, ‘amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmo’. Amar ao próximo é um gesto concreto, tão concreto que nosso Senhor se ajoelha diante de seus apóstolos, lava-lhes os pés e diz: ‘vocês devem fazer isso uns com os outros’. Atitude de serviço deve ser uma atitude religiosa e de fé. Eu não faço porque vou ter algum retorno ou lucro com isso; [não devo] ajudar aos mais pobres para ser visto. Nosso Senhor ensina nos Evangelhos que se a nossa mão faz uma coisa, a outra mão não deve saber, eu não devo fazer o bem para ser visto pelos homens, devo fazer o bem para que Deus me veja. Eu não estou procurando interesse deste mundo, meu interesse está para além deste mundo: conquistar a vida eterna. [E] para conquistar a vida eterna eu devo: amar a Deus sobre todas as coisas e amar aqueles que mais sofrem”, apontou.

Procissão com a imagem do Senhor dos Passos para a Igreja Nossa Senhora do Rosário

Ao final da cerimônia, Dom Airton ajoelhou-se diante da Imagem do Senhor dos Passos, abençoou e rezou diante dos fiéis. Em seguida, aos sons das melodias da Banda 16 de Julho, deu-se início a procissão guiada pelo Arcebispo, presbíteros, ministros e religiosos. Fiéis acompanharam a procissão com muito oração e louvor e a imagem do Senhor dos Passos foi carregada por homens vestidos com roupas de estandartes romanos.

Após uma trajetória de 1 km, os cristãos chegaram até a Igreja Nossa Senhora do Rosário, bem como a imagem do Senhor dos Passos que foi recepcionada pelo Arcebispo de Mariana. Mais uma vez, Dom Airton ajoelhou-se diante da Imagem do Senhor dos Passos, abençoou e rezou diante dos fiéis.

Em seguida e para finalizar a celebração litúrgica do dia, o Padre Lucas Muniz Alberto realizou a leitura do Sermão do Pretório, onde destacou que enquanto Igreja não podemos ser omissos no combate as injustiças.

“Ao contemplarmos o início da Paixão do Senhor não temos dúvidas das inúmeras injustiças cometidas contra Jesus, religiosas e também políticas. Mas a maior delas foi a injustiça da não correspondência ao seu amor e sua salvação claramente manifestada pela multidão que pede a sua morte na cruz.

A indiferença para sua salvação é certamente a dor maior de Jesus, a maior das injustiças e está, infelizmente, ainda hoje. Quantas vezes somos nós também indiferentes ao seu amor, quanto peso diante do nosso fechamento a graça do Senhor nós colocamos sobre as costas de Jesus. Pensemos: sem nossa vida de fé, estamos acolhendo a graça do Senhor? Ou a ela estamos indiferentes? Ali, diante do tribunal se iniciava outro julgamento que permanecerá até a vinda do Senhor, o julgamento do mundo e dos corações ao mesmo tempo, em que nós unimos ao sofrimento da condenação de Jesus temos que ser capaz de enxergar o Senhor que ainda hoje, nos inúmeros irmãos e irmãs é julgado e condenado que massacram e ofendem a cada filho e filha de Deus, a fome, o desemprego, a violência em todos os níveis, a desigualdade social, os crimes contra a vida, desde o aborto até as precárias condições de saúde e tantas outras que nós nem conhecemos e às vezes somos vítimas delas. Jesus continua a ser condenado e julgado injustamente, é condenado a morte todas às vezes que nós fechamos em nós mesmos, alimentando os pecados quando nossa vida ao invés de ser sinal de martírio e esperança torna-se vida egoísta. As injustiças sociais também são sentença de condenação para Cristo e elas permanecem em nosso tempo, enquanto Igreja não podemos ser omissos no combate a elas”, disse.

Fiéis relatam os milagres do Senhor dos Passos

Lourdes Maria do Sacramento, de 77 anos, moradora do bairro Cabana e ex-colaboradora da Igreja Nossa Senhora do Rosário, que muitas vezes enfeitou a imagem do Senhor dos Passos para a procissão da Segunda-feira Santa, disse que o Senhor dos Passos é como um pai para ela. Dona Lourdes ainda se recordou do milagre que aconteceu na sua vida, graças ao Senhor dos Passos.

“Eu estava tomando muito remédio, remédio demais da conta, sabe o que eu fiz? Peguei os remédios, guardei em uma sacolinha e os coloquei debaixo da túnica do Senhor dos Passos, quando eu estava quase saindo a procissão fui lá e peguei o remédio de volta. Quando fui ao médico em Ouro Preto, ele me mandou tirar esse e aquele e deixou só um remédio e estou bem até hoje”, relatou.

A marianense Suelen Luana Machado, de 31 anos, ex-integrante do coral da Igreja Nossa Senhora do Rosário, também falou sobre a importância do Senhor dos Passos na sua vida e o milagre que ela vivenciou.

“Quando eu era mais nova eu cantava no coral, o coral que cantava nas procissões. Desde nova, eu vinha com minha mãe e minha vó, e eu acompanha as missas, aquele amor por ver a procissão do Senhor dos Passos, a curiosidade de saber como que era tudo. Cresci assim e hoje estou aqui depois de muito tempo.

O Senhor dos Passos significa tudo, uma paz interior, onde eu coloco tudo ali, todos os meus pedidos, todos os meus sonhos, o que eu quero que ele me ajude a realizar, coloco os meus pedidos principalmente em prol da minha família que passa por um momento difícil. Ali eu coloco toda minha missão, ali eu encontro minha paz.

Eu sempre sonhei em ter filhos, no dia da procissão do Senhor dos Passos eu falei: ‘eu tenho tanto amor com o filho dos outros porque eu não tenho o meu? Aí no outro mês eu engravidei do meu primeiro filho e foi graças ao Senhor dos Passos”, relatou Suelen.

Fotos: Magu Tavares

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